A mostra reúne três séries da artista que exploram a transformação do espaço urbano em obras de arte contemporânea

O Museu Casa Alfredo Andersen inaugura a exposição Verticais Horizontes, destacando transformações urbanas retratadas pela artista Márcia Litério.
Confira a programação completa da exposição Verticais Horizontes
Inauguração: 11/04 (sábado), às 11h
Período: até 10 de maio
Local: Sala Ana de Oliveira, Museu Casa Alfredo Andersen
Horário de visitação: terça a domingo, das 9h30 às 17h
Endereço: Rua Mateus Leme, 336 – Centro, Curitiba
Entrada: gratuita
A pesquisa artística de Márcia Litério sobre a paisagem urbana e suas transformações
A exposição Verticais Horizontes, que estreia no Museu Casa Alfredo Andersen em Curitiba, apresenta um recorte significativo da trajetória artística de Márcia Litério, cujo trabalho se concentra na análise da vida urbana. Desde 2006, a artista investiga as dinâmicas da ocupação do espaço e os processos de transformação que moldam o ambiente das cidades. Para isso, utiliza principalmente a técnica da encáustica, que permite criar obras com sobreposições, colagens e incisões que revelam a complexidade e as marcas do tempo presentes nos corpos e nos lugares.
Esta mostra inédita reúne as séries Tapumes, Verticais Horizontes e Front, que até então não haviam sido apresentadas em conjunto. A obra de Márcia propõe uma reflexão crítica sobre o crescimento vertical das cidades, a desocupação irregular e a falta de planejamento urbano, apontando os impactos desses fenômenos na qualidade de vida das populações. O uso de texturas, distorções geométricas e processos de escavação da tinta aproxima o público da essência das transformações urbanas, indo além da simples representação visual.
Técnica da encáustica e a construção das obras na exposição
A técnica da encáustica utilizada por Márcia Litério é fundamental para compor o efeito visual e sensorial da exposição Verticais Horizontes. Trata-se de um procedimento que envolve a aplicação de camadas de cera pigmentada e tinta, que são depois trabalhadas com estilete para revelar camadas internas e criar texturas únicas. Essa abordagem permite que as imagens retratem não apenas a forma, mas também a história e a materialidade dos espaços urbanos, evidenciando sinais de desgaste, sujeira e intervenções ao longo do tempo.
Por meio dessa técnica, as obras funcionam como metáforas das marcas do tempo e da vida nas cidades. A artista destaca que o desbotamento, o descascamento da tinta e as colagens rasgadas são expressões do processo contínuo de transformação e deterioração dos ambientes urbanos. Essa dimensão temporal confere profundidade à narrativa visual proposta, estimulando uma percepção mais sensível e crítica da relação entre os habitantes e seus territórios.
Impacto cultural e social da exposição no cenário artístico curitibano
A inauguração da exposição Verticais Horizontes no Museu Casa Alfredo Andersen reforça a importância de Curitiba como polo de arte contemporânea que valoriza a investigação crítica das cidades e seus desafios. A mostra contribui para ampliar o diálogo entre a arte visual e as questões urbanas, fomentando reflexões sobre o planejamento, o crescimento desordenado e as dinâmicas sociais que permeiam os espaços públicos e privados.
Além disso, a iniciativa oferece à comunidade a oportunidade de vivenciar uma experiência estética que ultrapassa a mera observação, ao convidar o visitante a uma viagem sensorial que desafia a interpretação convencional das imagens. O caráter gratuito da exposição possibilita o acesso amplo e democrático à arte contemporânea, fortalecendo a conexão entre o público e a produção cultural local.
Perfil da artista Márcia Litério e sua trajetória artística
Márcia Litério é uma artista visual com formação no Paço das Artes, São Paulo, onde participou de exposições coletivas. Seu trabalho destaca-se pela investigação da paisagem urbana e das formas como o espaço é ocupado e transformado no cotidiano das cidades. A artista já expôs suas obras em instituições importantes como o Museu de Arte de Goiânia, Fundação Cásper Líbero, PUCPR e Sistema Fiep/PR.
Sua produção inclui obras que compõem acervos institucionais e coleções particulares, demonstrando reconhecimento e relevância no cenário artístico brasileiro. Com uma carreira marcada pela experimentação técnica e temática, Márcia Litério continua a apresentar trabalhos que estimulam a reflexão crítica sobre as cidades e os processos sociais que as caracterizam.





