Navio inaugural da nova rota entre Brasil e China chega ao Amapá

O ministro Waldez Góes destaca a importância da nova conexão para o comércio e pequenos produtores.

Navio inaugural da nova rota entre Brasil e China chega ao Amapá
Waldez Góes, ministro da Integração, fala sobre novos mercados. Foto: Amazônia não pode se limitar ao papel de fornecedora de matéria-prima, disse o ministro

O primeiro navio da nova rota entre Brasil e China chega ao Amapá, prometendo fortalecer o comércio e beneficiar pequenos produtores.

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, anunciou que o primeiro navio da nova rota marítima direta entre o Brasil e a China aportará no Amapá neste sábado, 30 de agosto de 2025. Esta rota conecta a Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau ao Porto de Santana das Docas, representando um marco nas relações comerciais entre os dois países.

Benefícios da nova rota para o comércio internacional

De acordo com Góes, essa nova conexão não só trará produtos chineses ao Brasil, como também facilitará a exportação de mercadorias brasileiras, como soja, café e ferro. O ministro enfatizou que o objetivo é diversificar a gama de produtos exportados. Ele destacou que a rota permitirá uma redução significativa nos custos de transporte, o que será benéfico para os produtores.

“O Brasil continua exportando muita soja, café e ferro para a China, mas a ideia é ampliar essa relação de produtos”, afirmou o ministro durante o programa “Bom dia, Ministro”. Ele também mencionou que o tempo de transporte será reduzido, o que deve impactar positivamente o comércio internacional, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil.

O que isso significa para pequenos produtores

Góes salientou que a nova rota pode aumentar a renda e a produtividade dos pequenos agricultores. Ele explicou que, com a diminuição dos custos de transporte, os produtores poderão ter uma margem de lucro maior. “Se você sair hoje com um produto do Centro-Oeste por Santana ou pelo Arco Norte para a Europa, comparado com o Porto de Santos, você diminui, por exemplo, a soja, o custo de 14 dólares por tonelada. E, se for para a China, 7,8 dólares por tonelada”, disse.

Além disso, o ministro destacou que há uma demanda crescente por produtos brasileiros na China, como café, mel e açaí. Ele mencionou que o mercado chinês, com uma população de 1,4 bilhão de pessoas, representa uma grande oportunidade para os produtos agrícolas brasileiros.

A importância do programa Agroamigo

Waldez Góes também abordou a importância do programa Agroamigo, que oferece microcrédito rural e assistência técnica a pequenos agricultores. O programa, que foi criado em 2005 pelo Banco do Nordeste, é considerado o maior da América do Sul e tem como objetivo facilitar o acesso a recursos para investimentos produtivos.

O ministro enfatizou que a cooperação entre os níveis de governo será crucial para o sucesso da nova rota e para o apoio aos pequenos produtores. Ele afirmou que a cultura associativista e cooperativista deve ser promovida, para que os pequenos agricultores possam competir no mercado. “Os grandes se unem para comercializar, e os pequenos não podem fazer diferente”, destacou.

Iniciativas e acordos para fortalecer a Amazônia

Durante sua participação em uma comitiva brasileira que viabilizou a nova rota, Góes também mencionou um acordo de cooperação técnica assinado com a ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial). Este acordo, orientado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, busca promover a industrialização das regiões menos desenvolvidas do Brasil, incluindo a Amazônia.

A proposta visa agregar valor à produção local, reduzindo desigualdades e criando empregos. “Não faz sentido a Amazônia apenas fornecer matéria-prima. Precisamos industrializar o açaí, o cacau, a castanha, o pescado, até o setor de fármacos”, concluiu o ministro, reforçando a urgência de se desenvolver cadeias produtivas na região.

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