ONG Transparência Internacional contesta acusações do governo Lula sobre investigação sigilosa

Organização exige esclarecimentos após nota da Casa Civil classificar ONG como 'investigada pela PF' sem provas públicas

ONG Transparência Internacional contesta acusações do governo Lula sobre investigação sigilosa
Sede da Transparência Internacional no Brasil, alvo de declarações da Casa Civil. Foto: Folhapress

ONG Transparência Internacional rebate governo Lula sobre suposta investigação policial, pedindo explicações e destacando ausência de registros públicos.

A ONG Transparência Internacional reagiu nesta semana às declarações da Casa Civil do governo Lula que a rotularam como “investigada pela Polícia Federal”. A entidade, reconhecida internacionalmente por seu trabalho contra a corrupção, enviou uma carta formal aos ministros Rui Costa (Casa Civil), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Vinicius Carvalho (Controladoria-Geral da União) questionando a alegação e pedindo esclarecimentos imediatos.

Contexto da Controvérsia e Importância da Transparência

A polêmica surgiu após a publicação, pela Transparência Internacional, de um levantamento crítico sobre a falta de transparência em obras federais do Novo PAC — programa emblemático do governo Lula. O estudo indicou que apenas 6% dos R$ 1,3 trilhão investidos estão devidamente detalhados em canais públicos, levantando dúvidas sobre o controle e a fiscalização dos recursos.

Em resposta, a Casa Civil emitiu uma nota desqualificando o levantamento e afirmando que a ONG estava sob investigação policial, sem apresentar qualquer documentação pública que comprovasse a acusação. Tal posicionamento foi classificado pela Transparência Internacional como “de particular gravidade”, já que não há qualquer registro público ou notificação formal à entidade sobre a suposta investigação.

Dúvidas Abertas e Preocupações da ONG

A Transparência Internacional manifesta séria preocupação com o uso de informações possivelmente confidenciais para fins políticos. Segundo a carta assinada por François Valérian, presidente do conselho da ONG, a alegação levanta “questões sérias sobre o conhecimento e o uso de informações por órgãos federais” e o impacto que isso pode ter no debate público e na confiança nas instituições.

Além disso, a ONG denuncia que tem sofrido assédio judicial e campanhas de difamação desde 2024, quando o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu uma investigação sobre suposto recebimento de recursos públicos por meio de acordos de leniência. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já solicitou arquivamento do caso, apontando ausência de elementos mínimos para configuração de crime, mas o processo ainda não foi formalmente encerrado.

Implicações para o Controle Social e a Governança

Atuação da ONG: A Transparência Internacional é uma das principais entidades que colaboram com o fortalecimento da governança pública e o combate à corrupção no Brasil.
Risco de Silenciamento: A entidade alerta que tentativas de desacreditar organizações civis minam a confiança pública e enfraquecem as salvaguardas contra práticas irregulares.
Transparência no Novo PAC: A falta de informações detalhadas sobre investimentos federais pode prejudicar o acompanhamento dos recursos e comprometer a eficácia dos projetos.

Serviço e Segurança na Participação Cidadã

Acesso à Informação: Cidadãos devem buscar fontes confiáveis e oficiais para acompanhar os investimentos públicos.
Fiscalização Social: É essencial que organizações da sociedade civil possam atuar sem intimidações para garantir o controle social.
Diálogo Institucional: O governo federal deve responder com transparência e respeito às instituições independentes e compromissos democráticos.

A situação destaca um momento delicado nas relações entre governo e entidades civis no Brasil em 2026, ressaltando a importância do debate aberto e da garantia de direitos para manter a saúde democrática do país.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Folhapress