A ONU expressa choque após a morte de dois palestinos desarmados por forças israelenses em operação na Cisjordânia

ONU classifica a morte de dois palestinos na Cisjordânia como uma 'execução sumária' após operação militar israelense.
ONU denuncia mortes de palestinos na Cisjordânia como possível execução sumária
Na última sexta-feira (28), as Nações Unidas manifestaram seu choque diante da morte de dois homens palestinos na Cisjordânia, afirmando que o incidente, ocorrido no dia anterior, durante uma operação militar israelense, se assemelha a uma “execução sumária”. O porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU, Jeremy Laurence, fez a declaração durante um pronunciamento em Genebra, ressaltando a gravidade do ato.
Os dois homens, identificados como Montasir Abdullah, de 26 anos, e Yusuf Asasa, de 37, foram mortos em Jenin, uma área frequentemente alvo de operações de segurança israelenses. Testemunhas e imagens da Palestina TV mostram que os palestinos estavam desarmados e aparentemente se rendendo no momento do ataque. Eles levantaram as camisas e deitaram-se no chão, mas mesmo assim foram alvejados a curta distância.
Um jornalista da Reuters que estava no local relatou que viu os homens saírem de um prédio, aparentemente se rendendo, antes de ouvir os disparos. A cena chocante levantou questões sobre a conduta das forças israelenses, que alegam estar combatendo atividades terroristas na região.
O governador de Jenin, Kamal Abu al-Rub, declarou que as forças israelenses perpetraram uma “execução a sangue-frio” e pediu que os responsáveis fossem responsabilizados. No entanto, ele expressou ceticismo quanto à possibilidade de uma investigação genuína por parte das autoridades israelenses.
Investigação do Exército e apoio do governo israelense
O Exército de Israel e a polícia anunciaram a abertura de uma investigação sobre as mortes. Em um comunicado conjunto, afirmaram que os homens estavam sendo procurados por supostas atividades terroristas, incluindo ataques a forças de segurança. Contudo, o comunicado não especificou as acusações nem apresentou evidências concretas sobre as ligações dos homens com atividades terroristas.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, saiu em defesa das ações do Exército, afirmando que “os combatentes agiram exatamente como se espera deles — terroristas devem morrer!”. Sua declaração gerou críticas adicionais, reforçando a percepção de que a resposta militar é muitas vezes desproporcional.
Jeremy Laurence, da ONU, condenou os comentários de Ben-Gvir, classificando-os como abomináveis e inadequados para a situação. Ele enfatizou que o uso da força deve ser sempre proporcional e em conformidade com os direitos humanos.
Enquanto o mundo observa atentamente, as circunstâncias em torno das mortes de Abdullah e Asasa se tornam mais complexas, refletindo a tensão contínua na região e as profundas divisões entre israelenses e palestinos. A ONU continuará a monitorar a situação e espera que as investigações levem a uma responsabilização adequada, em um contexto onde a confiança nas autoridades israelenses está em baixa.
Este incidente é mais um capítulo na longa história de conflitos na região, que continua a gerar debates acalorados sobre direitos humanos e a legitimidade das ações militares em áreas civis. Com a escalada das tensões, a comunidade internacional permanece atenta aos desdobramentos.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Reuters





