Especialistas pedem investigação sobre moderação desproporcional de conteúdos políticos nas plataformas da empresa

Especialistas independentes da ONU questionaram a atuação da Meta nas eleições brasileiras e pedem investigação sobre restrições desproporcionais
Especialistas independentes da ONU (Organização das Nações Unidas) questionaram nesta quarta-feira (21) a atuação da Meta nas eleições brasileiras de 2026. Em nota divulgada, o grupo cobra que a empresa investigue se seus sistemas de moderação, recomendação e inteligência artificial restringiram de forma desproporcional conteúdos ligados a um dos lados da disputa eleitoral.
Os especialistas pediram que a Meta forneça explicações e mecanismos de reparação adequados, aplique as regras de forma consistente e sem discriminação, mantenha um diálogo transparente com a sociedade civil e garanta que reclamações possam ser tratadas durante o período eleitoral.
Segundo o grupo, há preocupações sobre liberdade de expressão, participação política e igualdade de tratamento entre diferentes posições políticas depois de relatos de limitações à expressão política nas plataformas da Meta, que incluem Facebook, Instagram e WhatsApp.
Os especialistas relataram incidentes como interrupções temporárias de conta de campanha de um dos candidatos, diferenças no engajamento do público nos feeds dos usuários, na contagem de visualizações e no alcance, restrições a publicações da campanha no Instagram e diferenças entre os principais partidos políticos na geração de imagens por inteligência artificial.
Também foram identificadas discrepâncias nos resultados de busca de canais do WhatsApp, nos stories dos candidatos e na distribuição de conteúdo político, potencialmente favorecendo a campanha do candidato oposto, segundo os observadores.
“Plataformas online são atores fundamentais no debate democrático. Impedir que as pessoas se expressem ou alcancem audiências sem explicação afeta quem é ouvido”, disseram os especialistas independentes, que trabalham voluntariamente e não são funcionários da ONU nem recebem salário.
Os observadores afirmam que relatórios de monitoramento mostram que milhares de contas e publicações foram suspensas, tiveram redução de visibilidade e limitações de compartilhamento, incluindo jornalistas, defensores de direitos humanos, atores da sociedade civil e criadores de conteúdo.
“Informações, inclusive de funcionários da Meta, sugerem que contas vinculadas a um dos lados da disputa presidencial foram afetadas de forma desproporcional”, declara a nota publicada nesta quarta-feira.
Os especialistas também alertaram que tais restrições podem afetar o acesso à informação, a liberdade de reunião pacífica e de associação, além de comprometer as eleições quando “as liberdades fundamentais não são respeitadas durante todo o processo eleitoral”.






