Ministro da Fazenda destaca a sofisticação do crime e a necessidade de ações coordenadas do Estado.

Fernando Haddad afirma que operações contra lavagem de dinheiro atingem a estrutura do crime organizado.
Operação atinge o núcleo do crime organizado
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que as operações conjuntas “Carbono Oculto”, “Quasar” e “Tank” têm como foco o desmantelamento de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, atingindo o coração do sistema criminoso. A Polícia Federal, com a colaboração do Ministério da Justiça e da Receita Federal, está conduzindo ações que visam investigar 350 pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Contexto das operações contra o crime organizado
Haddad mencionou que o crime organizado se tornou mais sofisticado e, por isso, o Estado precisa implementar ações mais complexas para combatê-lo. A investigação da Polícia Federal, que visa decifrar o fluxo de dinheiro dos criminosos, revela que a estrutura do crime possui “muitas camadas”, dificultando a identificação dos envolvidos. A integração entre diferentes órgãos públicos é essencial para desmantelar esse esquema complexo.
Na declaração, o ministro enfatizou a importância da política pública na luta contra o crime: “Isso não é obra do acaso. É obra de decisão política”. Em 2023, a Receita Federal criou uma equipe específica para o combate ao crime organizado, o que reflete um compromisso governamental em coibir a atuação de organizações criminosas.
Detalhes da operação e alvos identificados
Entre os alvos da operação estão empresas do setor financeiro, como a Reag Investimentos, uma companhia listada na B3, e a fintech BK Bank, que supostamente atuava como um banco paralelo para a organização criminosa. De acordo com a Receita Federal, essa fintech movimentou mais de R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024, operando com brechas na legislação que dificultam o rastreamento de recursos.
Auditores fiscais identificaram irregularidades em mais de 1.000 postos de combustíveis, que, segundo as investigações, movimentaram aproximadamente R$ 52 bilhões no mesmo período. Esses estabelecimentos estão ligados a um esquema que inclui a utilização de máquinas de cartão e a recepção de dinheiro em espécie.
Impactos para o setor financeiro e consumidores
O esquema investigado não apenas facilitou a lavagem de dinheiro, mas também resultou em prejuízos para consumidores e para a sociedade devido à sonegação fiscal e adulteração de produtos. O uso de diversas empresas operacionais permitiu disfarçar os recursos de origem criminosa, colocando em risco a integridade do mercado.
A operação, que mobilizou cerca de 1.400 agentes nesta quinta-feira, busca desarticular a estrutura do PCC no setor de combustíveis. O governo federal, por meio do Núcleo de Combate ao Crime Organizado, pretende intensificar a fiscalização e promover uma resposta mais efetiva contra a criminalidade.
Expectativas e próximos passos
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, classificou a operação como uma das maiores da história do Brasil, com o governo Lula intensificando esforços para enfrentar o crime organizado. As investigações continuam a revelar a complexidade e a extensão das atividades ilícitas, e as autoridades estão atentas a novas medidas necessárias para garantir que a justiça seja feita e que o crime não prospere.
A operação não apenas demonstra a capacidade do Estado em responder a desafios de segurança, mas também ressalta a necessidade de uma abordagem integrada e contínua no combate ao crime organizado, com o objetivo de proteger o setor financeiro e garantir a segurança da sociedade.