Orelhões no Brasil: início da retirada acelerada em janeiro de 2026

Com a mudança no regime de concessão, telefones públicos podem sumir das ruas brasileiras

Orelhões no Brasil: início da retirada acelerada em janeiro de 2026
Orelhões nas ruas brasileiras estão desaparecendo com o fim da concessão. Foto: REUTERS/Ricardo Moraes

Orelhões no Brasil estão sendo retirados a partir de janeiro de 2026, após mudança no modelo de concessão da telefonia fixa e queda no uso dos aparelhos.

Orelhões no Brasil: transformação no modelo de telefonia fixa

A retirada dos orelhões nas ruas do Brasil se intensificou a partir de janeiro de 2026, refletindo a mudança do serviço de telefonia fixa do regime de concessão para autorização, conforme previsto na Lei Geral de Telecomunicações. Essa alteração permite que as empresas de telefonia não tenham mais a obrigação de manter e expandir os telefones públicos considerados não essenciais.

Queda expressiva no número e uso dos aparelhos

Dados oficiais indicam que, em dezembro de 2025, restavam 38.454 orelhões no país, menos da metade dos 84.938 registrados apenas um ano antes. O número é ainda menor se comparado aos mais de 200 mil aparelhos contabilizados em janeiro de 2020, antes da pandemia de Covid-19. A Vivo, responsável por grande parte dos orelhões em São Paulo, por exemplo, aponta uma redução de 93% no uso dos telefones públicos nos últimos cinco anos.

Empresas e obrigações regulatórias

A Oi foi a primeira a adaptar seus contratos ao novo regime em novembro de 2024, podendo iniciar a remoção dos orelhões não obrigatórios antes das outras operadoras. Algar, Claro e Telefônica tiveram suas concessões adaptadas em 2025 e só puderam começar a retirar os aparelhos não essenciais a partir de 1º de janeiro de 2026. Apesar disso, os contratos estabelecem que cerca de nove mil orelhões deverão ser mantidos até o fim de 2028, priorizando localidades com cobertura celular insuficiente.

Distribuição geográfica dos orelhões

São Paulo lidera o ranking dos estados com maior número de aparelhos, somando 28.810 unidades em dezembro de 2025, das quais 96,4% estavam ativas. No extremo oposto, o Espírito Santo conta com apenas 15 orelhões, dos quais 10 ativos. Outros estados como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Pará apresentam números reduzidos e mistura de aparelhos em manutenção e operação.

Impacto social e digitalização da comunicação

A redução significativa dos orelhões revela a transformação dos hábitos de comunicação no Brasil, impulsionada pela popularização dos celulares e internet móvel. A manutenção dos aparelhos em áreas remotas representa um desafio regulatório para garantir o acesso à comunicação básica onde a cobertura celular ainda é limitada.

Expectativas para o futuro dos telefones públicos

Com o avanço tecnológico e a mudança do panorama regulatório, o papel dos orelhões está em processo de redefinição no país. A retirada gradual dos aparelhos não obrigatórios deve continuar até 2028, enfatizando a necessidade de políticas públicas para garantir inclusão digital e comunicação universal nas regiões mais vulneráveis.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: REUTERS/Ricardo Moraes