Orquestra da usp promove pré-temporada com repertório plural e inovador

Concertos gratuitos exploram diversidade musical com composições clássicas, contemporâneas e de matriz afro-brasileira

Orquestra da usp promove pré-temporada com repertório plural e inovador
Apresentação da Orquestra de Câmara da ECA-USP em São Paulo. Foto: Agência Brasil

A Orquestra da USP inicia pré-temporada com concertos gratuitos que abrangem repertórios clássicos, contemporâneos e afro-brasileiros.

Confira a programação completa da pré-temporada da Orquestra da USP

10 de fevereiro / Instituto Tomie Ohtake: Grupo de Cordas regido por Claudia Feres com obras de Aaron Copland, Benjamin Britten e Claude Debussy.
11 de fevereiro / Centro Cultural Camargo Guarnieri: Concertos de sopro e percussão sob a regência de André Bachur, com participação especial de Jéssica Gaspar na performance da canção “Deus é uma Mulher Preta”.

  • 12 de fevereiro / Instituto Tomie Ohtake: Programa Ensemble, regido por Ricardo Bologna, apresentando “Mosaico Contemporâneo” e homenagem a Olivier Toni.

Ampliação do repertório e inclusão de novos paradigmas musicais na Orquestra da USP

A orquestra da USP inaugura sua pré-temporada de 2026 nos dias 10, 11 e 12 de fevereiro com um repertório plural que contempla tanto a música erudita clássica quanto composições contemporâneas e populares de origem afro-brasileira, latina e asiática. O maestro Ricardo Bologna, regente do Ensemble, ressalta que este movimento reflete mudanças significativas na pesquisa acadêmica musical que, até três décadas atrás, privilegiava quase exclusivamente a música europeia e norte-americana.

Segundo Bologna, a atual diversidade no repertório evidencia o crescente interesse e reconhecimento de expressões musicais além do cânone tradicional, incluindo folclore e música popular brasileira. Essa transformação também se manifesta em congressos acadêmicos, que agora debatem a produção musical nacional diversificada.

Performance e engajamento social da multi-artista Jéssica Gaspar na pré-temporada

Um dos momentos marcantes da pré-temporada será a participação da cantora e compositora Jéssica Gaspar, que apresentará ao público a canção “Deus é uma Mulher Preta”. Essa obra tem origem na experiência do Bloco Ókánbí, do Carnaval de Salvador, em 2020, e carrega uma mensagem de resistência e ressignificação da imagem das mulheres negras na sociedade brasileira.

Jéssica explica que a canção surge como resposta à violência policial contra Cláudia Ferreira da Silva, uma mulher negra que teve seu corpo brutalmente ferido e exposto, buscando transformar essa memória dolorosa em um símbolo divino e de força. A participação de Gaspar na OCAM é um exemplo da ampliação do diálogo entre a música contemporânea e questões sociais profundas.

Homenagens e obras especiais ressaltam patrimônio musical brasileiro e internacional

A pré-temporada da Orquestra da USP inclui também uma homenagem ao compositor Hermeto Pascoal, ícone da música popular brasileira, com a estreia da obra “Bruxo Campeão”, de autoria de Carlos dos Santos, ex-aluno da OCAM e docente na Universidade Federal da Paraíba. Tal iniciativa destaca a conexão entre gerações de músicos e o reconhecimento da música popular como parte relevante da tradição brasileira.

Além disso, o programa de cordas, sob regência da harpista Liúba Klevtsova, apresenta clássicos do século 20, como peças de Aaron Copland e Benjamin Britten, além da execução de “Danças Sacra e Profana para Harpa e Cordas” de Claude Debussy. Já o grupo Ensemble brinda o público com composições que percorrem desde a obra do fundador da OCAM, Olivier Toni, até músicas japonesas, destacando a diversidade cultural no repertório.

Desafios e perspectivas para a inclusão da música não europeia nos cursos universitários brasileiros

A pré-temporada da OCAM também evidencia desafios persistentes na estrutura dos cursos de música nas universidades brasileiras. Apesar dos avanços na inclusão de repertórios diversificados, Jéssica Gaspar critica que a música não europeia ainda é tratada como um segmento “étnico” à parte, enquanto o estudo dos clássicos continua predominante.

Essa divisão, segundo a artista, limita a compreensão da música como linguagem viva e plural. Ela defende a necessidade de repensar as bibliografias e currículos musicais para que reflitam a riqueza cultural do país e do mundo, questionando o que hoje é considerado “clássico” e ampliando o ensino para novos saberes e expressões.

Implicações culturais e educacionais da pré-temporada da Orquestra da USP

A iniciativa da OCAM da ECA-USP representa não apenas uma programação musical diversificada e acessível, mas também um movimento de transformação cultural que dialoga com as dinâmicas sociais e acadêmicas contemporâneas. Ao trazer à cena obras de diferentes origens, a orquestra promove uma reflexão sobre identidade, memória e inclusão.

Essa pluralidade sonora amplia o acesso do público a repertórios variados e contribui para a formação de novos músicos e pesquisadores com uma visão mais abrangente. A pré-temporada gratuita em espaços como o Instituto Tomie Ohtake e o Centro Cultural Camargo Guarnieri reforça o compromisso da universidade com a democratização da cultura e a valorização da diversidade.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Fonte: Agência Brasil