Paraná amplia tratamento inovador para crianças com hemofilia a grave

Estado inicia aplicação do emicizumabe em crianças de zero a seis anos, transformando a rotina de pacientes com hemofilia A

Paraná amplia tratamento inovador para crianças com hemofilia a grave
Família de Luca Rech durante tratamento, com nova medicação que facilita rotina. Foto: Arquivo pessoal da família

Paraná inicia aplicação do emicizumabe em crianças de zero a seis anos com hemofilia A, melhorando qualidade de vida e prevenindo complicações.

Paraná inicia aplicação do emicizumabe para crianças de zero a seis anos com hemofilia A

O tratamento inovador para crianças com hemofilia A grave começou a ser aplicado no Paraná em 2026, após a incorporação do emicizumabe pelo Ministério da Saúde ao SUS. O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), vinculado à Secretaria de Estado da Saúde, foi rápido na implementação, disponibilizando o medicamento em apenas 30 dias, muito antes do prazo previsto de 180 dias. Luca Rech, de quatro anos, é um dos primeiros beneficiados, junto com outras 33 crianças nessa faixa etária.

Benefícios do emicizumabe na prevenção da artropatia hemofílica em crianças pequenas

A hemofilia A é uma condição hereditária rara que afeta a coagulação sanguínea devido à deficiência do Fator VIII, provocando sangramentos frequentes, especialmente nas articulações e músculos. Em crianças de zero a seis anos, essa forma grave pode causar artropatia hemofílica, uma lesão irreversível das articulações, resultando em dor crônica e limitações funcionais. O emicizumabe atua mimetizando o Fator VIII ativado, prevenindo esses sangramentos e, consequentemente, protegendo o desenvolvimento motor e social saudável das crianças. Essa ampliação do tratamento é fundamental para evitar sequelas graves e melhorar a qualidade de vida.

Impacto da forma de administração do medicamento na rotina das famílias

Diferentemente do tratamento tradicional, que exige infusões intravenosas frequentes, o emicizumabe é aplicado por via subcutânea, com doses semanais, quinzenais ou mensais. Essa facilidade reduz o estresse das crianças e familiares, permitindo maior liberdade e menos interferência na rotina. Para os pais de Luca Rech, a mudança representa um avanço significativo que promete dar maior segurança e bem-estar para ele e para toda a família. Condições ambientais como a necessidade de proteção contra quedas e cuidados intensos são agora menos restritivas.

Estruturação do sistema público de saúde para oferecer o tratamento em todo o Paraná

Sob a coordenação do secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, a rede estadual se preparou para essa nova etapa, tendo o Hemepar como referência no atendimento. O Paraná conta com cerca de 800 pacientes com hemofilia A, dos quais 40 já recebiam emicizumabe, ampliando-se agora o atendimento aos pequenos pacientes. A diretora do Hemepar, Vivian Patricia Raksa, destacou a agilidade na avaliação e organização do tratamento junto às famílias, reforçando o compromisso do Estado com a saúde pública de qualidade.

Perspectivas e avanços na qualidade de vida para pacientes com hemofilia

A médica hematologista Claudia Lorenzato enfatiza que o acesso ao emicizumabe possibilitará que as crianças vivam sem a constante preocupação com as infusões e os riscos de sangramento, conceito conhecido como “hemofilia free mind”. Essa nova realidade abre caminhos para que esses pacientes possam se desenvolver plenamente, estudando e realizando atividades sem limitações impostas pela doença. A iniciativa do Paraná reflete um avanço significativo no tratamento da hemofilia A, com impacto direto na saúde e bem-estar de muitas famílias.