Paraná aciona Justiça Federal sobre licitação do Passeio do Macuco

Estado questiona edital da União para concessão no Parque Nacional do Iguaçu sem autorização prévia de uso da área

Paraná aciona Justiça Federal sobre licitação do Passeio do Macuco
Ação judicial do Paraná busca adequações no edital do Passeio do Macuco

O Estado acionou a Justiça Federal contra a União e o ICMBio sobre a licitação do Passeio do Macuco, alegando falta de autorização para usar área de propriedade paranaense no Parque Nacional do Iguaçu.

O Estado do Paraná acionou a Justiça Federal nesta sexta-feira contra a União em disputa envolvendo o Passeio do Macuco, no Parque Nacional do Iguaçu. A petição contesta o prosseguimento da licitação da infraestrutura sem que tenha sido obtida a Concessão de Direito Real de Uso junto ao Estado, legítimo proprietário do terreno onde se localizam trilhas, acessos terrestres e estruturas de embarque.

Questão central: propriedade e registros imobiliários

A área denominada Saltos de Santa Maria, onde funciona o Passeio do Macuco, está registrada em nome do Paraná junto ao Cartório de Imóveis de Foz do Iguaçu. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) já havia validado esse registro por decisão unânime em fevereiro de 2025, rejeitando ações que buscavam cancelá-lo. Apesar disso, a União e o ICMBio ignorariam essa determinação judicial, prosseguindo com o edital de forma irregular, conforme argumentação estatal.

Risco de intervenções sem autorização

O edital em questão prevê modificações estruturais significativas no imóvel paranaense, incluindo perfurações e demolições de estruturas existentes. O Estado sustenta que essas intervenções não podem ser realizadas sem consentimento do proprietário, violando princípios fundamentais do direito imobiliário e fiscal. Tal situação criaria precedente perigoso no mercado de concessões públicas.

Segurança jurídica do investimento em risco

O contrato de concessão movimenta aproximadamente R$ 85,3 milhões, com leilão marcado para agosto de 2026 na B3. Conforme a petição judicial, permitir o prosseguimento nessas condições equivaleria a ofertar publicamente um direito real viciado, comprometendo a transparência e viabilidade do futuro contrato. O Estado reitera sua disposição em cooperar, havendo inclusive aprovação legislativa para outorga direta e regular da concessão ao ICMBio.

Proposta de adequação e diálogo institucional

O Estado ofereceu solução através de ofício encaminhado no início de junho, solicitando ajustes no edital com maior segurança jurídica para todos os envolvidos. Contudo, a autarquia federal não respondeu a essa comunicação, precipitando a ação na Justiça. O Paraná defende que o saneamento prévio da questão representa medida de responsabilidade fiscal e proteção do patrimônio público.

Próximos desdobramentos

A ação agora tramita pela Justiça Federal, com possibilidade de cautelar que suspenda o leilão previsto. A questão envolve interpretação de direitos reais, competências federativas e regularidade de procedimentos licitatórios, abrindo precedentes para outras disputas entre esferas de governo sobre territórios de conservação ambiental.