Decisão pode facilitar acesso a genéricos e tratamentos no SUS
O STJ decidiu que a patente da semaglutida não será estendida, o que pode permitir a entrada de genéricos e ampliar o acesso a tratamentos.
A recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de negar um pedido da Novo Nordisk para estender a patente da semaglutida marca um momento significativo no acesso a tratamentos de saúde no Brasil. A substância, presente em medicamentos como Ozempic e Rybelsus, é essencial no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. Com a patente atual expirando em março de 2026, a negativa do STJ abre espaço para a entrada de genéricos, que poderiam oferecer alternativas mais acessíveis para os pacientes.
O impacto da decisão sobre a saúde pública
A decisão do STJ é especialmente relevante em um contexto onde a obesidade atinge níveis alarmantes no Brasil. Dados recentes indicam que 7 em cada 10 adultos estão acima do peso e 31% são considerados obesos. Essa condição não apenas afeta a saúde individual, mas também impõe uma carga significativa ao Sistema Único de Saúde (SUS), que atualmente não oferece medicamentos eficazes para o tratamento da obesidade, limitando-se a tratar suas comorbidades.
A expectativa é que, com a chegada de genéricos, o custo dos tratamentos diminua drasticamente. Atualmente, uma caneta de semaglutida pode custar cerca de R$ 1.000, tornando-se inviável para a maioria da população. A proposta de inclusão desses medicamentos na rede pública é vista como uma forma de democratizar o acesso ao tratamento e reduzir os custos relacionados a doenças associadas à obesidade, como diabetes e hipertensão.
Reação da indústria farmacêutica
Por outro lado, a indústria farmacêutica argumenta que a não extensão da patente pode desestimular investimentos em pesquisa e desenvolvimento no Brasil. A Novo Nordisk alega que atrasos administrativos na análise do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) prejudicaram seu direito de exploração da tecnologia, reivindicando até 12 anos de extensão. No entanto, o STJ reafirmou que não há base legal para tal prorrogação, ressaltando a importância de garantir acesso à saúde para a coletividade.
A luta contra a obesidade e o futuro do tratamento
Com a decisão do STJ, especialistas enfatizam a necessidade de um tratamento multidisciplinar para a obesidade, que não pode ser vista apenas como uma questão de medicação. A inclusão de medicamentos como a semaglutida no SUS deve vir acompanhada de suporte nutricional e acompanhamento médico adequado. A médica endocrinologista Maria Edna de Melo destaca que a revolução no tratamento da obesidade no Brasil é possível, mas requer um compromisso contínuo com a saúde pública.
Além disso, a análise de novos medicamentos pela Anvisa está em andamento, e há uma expectativa de que novas versões da semaglutida sejam aprovadas ainda este ano. Essa movimentação no mercado pode resultar em um cenário mais competitivo, levando a uma redução nos preços e a um maior acesso aos tratamentos.
Em resumo, a decisão do STJ não apenas impacta a Novo Nordisk, mas também reflete um movimento em direção a uma saúde mais acessível e equitativa no Brasil. Com a possibilidade de genéricos entrando no mercado, espera-se que o tratamento para a obesidade e diabetes tipo 2 se torne mais viável para todos os brasileiros.





