Peixe nativo reduz emissão de gases de efeito estufa

Pesquisa da Sanepar e UFPR descobre que lambari-miúdo atua como filtro natural em reservatórios de água

Peixe nativo reduz emissão de gases de efeito estufa
Reservatório Passaúna localizado na Região Metropolitana de Curitiba, onde foi realizado o estudo

Estudo de pesquisadores da Sanepar e UFPR revela que peixes nativos retêm carbono em sua biomassa, mitigando emissões de metano em reservatórios de abastecimento.

Pesquisa identifica lambari-miúdo como filtro ecológico natural

O lambari-miúdo, pequeno peixe nativo de cerca de 10 centímetros, emerge como aliado inesperado no combate ao aquecimento global. Estudo conduzido por pesquisadores da Sanepar e UFPR demonstra que este peixe funciona como filtro ecológico capaz de reduzir significativamente a emissão de gases de efeito estufa em reservatórios de água.

Dinâmica dos reservatórios e acúmulo de gases

Reservatórios de abastecimento e energia elétrica possuem características que favorecem a acumulação de poluentes. Diferentemente dos rios, sua circulação de água ocorre de forma mais lenta, permitindo o acúmulo natural de matéria orgânica no fundo. Este processo de decomposição gera emissões de metano, responsável por aproximadamente 80 vezes maior impacto climático que o dióxido de carbono durante um período de 20 anos.

Maurício Bergamini Scheer, engenheiro florestal da área de Pesquisa da Sanepar e um dos autores do estudo, explica que compreender o ecossistema desses ambientes é fundamental para identificar soluções naturais.

Mecanismo de retenção de carbono

A pesquisa realizada no Reservatório Passaúna, localizado na Região Metropolitana de Curitiba, revelou um processo ecológico sofisticado. As populações de peixes nativos retêm o carbono proveniente do metano em sua biomassa — ou seja, na carne do animal. Este mecanismo transforma o peixe em uma infraestrutura biológica capaz de mitigar significativamente as emissões de gases prejudiciais.

Reabilitação através de processos naturais

A reabilitação de ambientes artificiais como reservatórios requer equilíbrio dinâmico das comunidades de seres vivos. Segundo pesquisadores envolvidos no estudo, os processos naturais precisam ser restaurados para que se forme uma infraestrutura biológica eficiente.

Esta descoberta abre perspectivas promissoras para estratégias de mitigação climática que aproveitam mecanismos ecológicos naturais em vez de depender exclusivamente de tecnologias artificiais, integrando conhecimento científico com práticas sustentáveis.