Setor leiteiro nacional avalia impacto das novas cotas e reduções tarifárias previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia

Pequenos produtores de leite alertam para riscos econômicos diante do acordo Mercosul-UE que amplia importações e reduz tarifas.
Impacto do acordo Mercosul-UE sobre pequenos produtores de leite
Os pequenos produtores de leite enfrentam um cenário de pressão crescente devido ao acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Desde o início das implementações previstas nesse acordo, há preocupação com o aumento das importações de produtos lácteos, especialmente de países como Argentina e Uruguai, que já usufruem de isenção tarifária. Essa dinâmica pode resultar em perdas significativas para os produtores nacionais de menor porte, que têm dificuldades em competir em preço e escala. O acordo prevê, entre outros pontos, a ampliação das cotas de importação e a redução gradual das tarifas, o que intensifica o desafio para a cadeia produtiva nacional.
Avanços e concessões para o setor lácteo brasileiro na negociação
Apesar das apreensões, a Viva Lácteos ressaltou avanços importantes na negociação, como a permissão para o uso de termos europeus tradicionais em rótulos de queijos nacionais, incluindo gorgonzola e parmesão. Essa medida representa uma tentativa de valorizar a produção local e agregar valor aos produtos nacionais, favorecendo o reconhecimento no mercado interno e externo. Entretanto, essa conquista não elimina as preocupações quanto à competição desleal, especialmente para pequenos produtores que não dispõem dos mesmos recursos para investimento em marketing ou tecnologia.
Consequências econômicas e limitações do Plano Safra 2025/26
O cenário econômico atual agrava ainda mais os riscos enfrentados pelos pequenos produtores de leite. A concessão de financiamento nos primeiros seis meses do Plano Safra 2025/26 sofreu uma redução para R$ 188 bilhões, o que restringe o acesso a crédito e limita investimentos em modernização e produtividade. Essa restrição financeira, combinada com a maior concorrência internacional, pode comprometer a sustentabilidade das pequenas propriedades, que já operam com margens reduzidas.
Pressão da importação e seus efeitos na cadeia produtiva nacional
A entrada crescente de produtos lácteos importados a preços competitivos impacta diretamente a cadeia produtiva nacional, desde a produção até a comercialização. Pequenos produtores alertam que a competição pode levar à diminuição da produção local, perda de empregos no setor e enfraquecimento das economias regionais que dependem da pecuária leiteira. Essa situação exige atenção das autoridades para o desenvolvimento de políticas públicas que protejam o segmento e promovam a competitividade sustentável.
Perspectivas para o futuro do setor leiteiro brasileiro diante do acordo
O acordo Mercosul-UE traz tanto desafios quanto oportunidades para o setor leiteiro brasileiro. Enquanto a expansão de exportações é um aspecto positivo, o cenário geopolítico e as condições econômicas globais podem influenciar a demanda internacional. A articulação entre produtores, entidades representativas e o poder público será crucial para buscar soluções que minimizem os impactos negativos e fomentem o crescimento do setor. Estratégias de inovação, agregação de valor e fortalecimento do mercado interno poderão ser determinantes para a sobrevivência dos pequenos produtores de leite.
O acordo Mercosul-UE representa um momento decisivo para a cadeia produtiva do leite no Brasil, especialmente para os pequenos produtores que já enfrentam desafios estruturais e financeiros. A análise detalhada dos impactos e a busca por medidas mitigadoras são essenciais para garantir a sustentabilidade desse importante segmento agrícola.
Fonte: globorural.globo.com
Fonte: Globo Rural





