Perspectiva de redução da safra mantém preços firmes do trigo no mercado brasileiro

Expectativa de menor área plantada e produtividade reduzida impacta oferta e sustenta valor do trigo

Perspectiva de redução da safra mantém preços firmes do trigo no mercado brasileiro
Campos de trigo evidenciam desafios da safra no Brasil. Foto: Heather Schlitz

Redução na área plantada e produtividade do trigo no Brasil mantém preços elevados e pressionados no mercado interno.

Queda na área plantada e produção de trigo projeta preços firmes para 2026

A perspectiva de redução da área plantada de trigo no Brasil sustenta os preços do trigo no mercado interno. Levantamentos indicam que a área cultivada pode atingir o menor patamar desde 2020, o que explica a firmeza das cotações observadas entre o fim de março e abril de 2026. O aumento de aproximadamente 4,46% nos preços, chegando a R$ 1.342,19 por tonelada, reflete a menor oferta prevista e o cenário desafiador enfrentado pelos produtores.

Impactos econômicos e climáticos pressionam rentabilidade e produção nacional

Segundo dados da Conab, a safra de 2026 está projetada em 6,9 milhões de toneladas, volume 12,3% inferior ao de 2025, com redução de 5,2% na área cultivada e produtividade média estimada em 2.979 quilos por hectare, uma queda de 7,5%. Essas perdas resultam em uma produção total de 6,6 milhões de toneladas, retração de 16% em relação à safra anterior. A baixa rentabilidade, agravada pelo aumento dos custos com fertilizantes e outros insumos, além das incertezas climáticas, contribuem para o cenário crítico que desestimula o plantio no país.

Desafios regionais: Rio Grande do Sul e Paraná enfrentam quebras significativas

O presidente da Comissão de Trigo da Farsul, Hamilton Jardim, ressalta que a quebra no Rio Grande do Sul deve ser acentuada, mesmo com uso de tecnologias avançadas, devido à descapitalização dos produtores. No Paraná, espera-se uma diminuição na área cultivada durante o inverno, com exceção da canola, que terá crescimento por conta da relação favorável entre preço e troca. Essas realidades regionais reforçam o impacto negativo das condições econômicas e ambientais sobre a produção nacional.

Custos elevados e limitações financeiras comprometem o investimento agrícola

Os custos de produção permanecem pressionados por fatores logísticos, geopolíticos e o aumento dos preços dos fertilizantes, especialmente os nitrogenados, afetando diretamente a lucratividade dos agricultores. Além disso, o acesso restrito ao crédito e a dificuldade em contratar seguros rurais adequados agravam a situação financeira dos produtores, limitando investimentos e adoção de tecnologias mais eficientes.

Potencial impacto do El Niño e consequências para a qualidade da safra

A possibilidade do fenômeno climático El Niño no segundo semestre de 2026 preocupa os agricultores, especialmente no Sul do país. A maior frequência de chuvas em fases críticas do desenvolvimento do trigo pode elevar a incidência de doenças e a presença de micotoxinas, afetando a qualidade da produção e aumentando os riscos para a comercialização.

Expansão em outras regiões e perspectivas para o futuro da cultura no Brasil

Enquanto algumas regiões tradicionais enfrentam retração, estados como Minas Gerais, Goiás e o Distrito Federal deverão ampliar a área plantada, com crescimento estimado entre 17,6% e 24%. Essa movimentação pode ajudar a compensar em parte as perdas nas regiões do Sul, mas o cenário global da cultura do trigo no Brasil permanece atrelado a desafios financeiros, climáticos e logísticos que requerem atenção para manter a sustentabilidade do setor.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Heather Schlitz