Brent fechou em alta de 3,21% nesta quinta-feira. Discursos afastam expectativa de acordo diplomático e elevam pressão sobre fretes e seguros

O petróleo Brent subiu 3,21% nesta quinta-feira, chegando a US$ 106,39 por barril. Discursos de Trump e do presidente iraniano aumentaram percepção de que acordo permanece distante.
O petróleo voltou a superar US$ 105 nesta quinta-feira (24) após discursos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
O Brent, referência internacional, chegou a US$ 106,39 por barril durante a madrugada, alta de 3,21%, antes de reduzir parte dos ganhos. O WTI também avançava e era negociado próximo de US$ 94. Na véspera, o Brent havia subido quase 4%, depois de cinco sessões consecutivas de queda, segundo dados da Fiorde Group.
Os investidores interpretaram os discursos na ONU como indicação de que as partes continuam distantes de um acordo, revertendo expectativas diplomáticas da semana anterior. O mercado havia acompanhado com atenção as negociações indiretas entre Washington e Teerã e a possibilidade de algum acordo que permitisse reduzir as restrições no Estreito de Ormuz. Em 20 de setembro, o contrato Brent chegou a fechar a US$ 100,34, queda de 3,4%, em meio à expectativa de avanço diplomático.
Segundo analistas ouvidos pela imprensa internacional, a consequência dos discursos foi a retomada das expectativas de um período mais prolongado de preços elevados do petróleo. Permanecem os riscos físicos para a oferta e o transporte. O Estreito de Ormuz continua operando muito abaixo dos níveis anteriores ao conflito, enquanto ataques contra embarcações e a possibilidade de abertura de novas frentes aumentam a incerteza sobre as rotas marítimas.
Para as empresas brasileiras, o problema não está restrito ao preço do barril. Petróleo mais caro, diesel pressionado, fretes internacionais elevados, seguros mais caros, mudanças de rotas e prazos de entrega maiores podem atingir custos, margens e capital de giro das operações de logística e comércio exterior.






