Empresas como Exxon, Shell e ConocoPhillips ressaltam necessidade de mudanças legais e suporte para investir no setor petrolífero venezuelano

Petrolíferas americanas condicionam retomada de investimentos na Venezuela a garantias legais, apoio financeiro e mudanças regulatórias.
Em 9 de janeiro de 2026, lideranças das maiores petrolíferas dos Estados Unidos se reuniram na Casa Branca para discutir o futuro dos investimentos no setor de petróleo da Venezuela. O encontro, pressionado pelo presidente Donald Trump, destacou que o retorno das empresas ao país depende da garantia de licenças, segurança jurídica e auxílio financeiro por parte do governo americano.
O CEO da Exxon Mobil, Darren Woods, destacou que a Venezuela é inviável para investimento sem mudanças profundas. Segundo ele, a empresa está pronta para enviar uma equipe técnica nas próximas semanas para avaliação do cenário local, mas enfatizou a necessidade de alterações no sistema legal, contratos comerciais e na legislação de hidrocarbonetos venezuelana.
Desafios históricos e necessidade de mudanças estruturais no setor petrolífero venezuelano
A Exxon Mobil tem longa história na Venezuela, com ativos confiscados em duas ocasiões anteriores. Woods alertou que, para um terceiro ingresso, são imprescindíveis mudanças significativas para garantir a segurança e rentabilidade dos investimentos. O ambiente atual, segundo o executivo, é marcado por instabilidade jurídica e comercial, o que afasta o interesse imediato do setor.
De modo semelhante, o CEO da Shell, Wael Sawan, manifestou disposição para avançar com bilhões de dólares em investimentos, condicionados à obtenção das licenças necessárias por parte dos Estados Unidos. Ele relembrou que a Shell manteve presença contínua no país, mesmo após a saída nos anos 1970 devido a nacionalizações.
Apoio financeiro e participação do governo americano para viabilizar investimentos
Ryan Lance, CEO da ConocoPhillips, enfatizou que o financiamento das operações poderá contar com bancos americanos, como o Export-Import Bank, para garantir a viabilidade financeira do retorno ao mercado venezuelano. Trump, por sua vez, afirmou que espera não precisar oferecer garantias financeiras, mas assegurou que o governo apoiará as empresas para facilitar a retomada das atividades no país.
Perspectivas da Chevron e impacto na produção local
A Chevron, atualmente a única das grandes petrolíferas ativas na Venezuela, prevê aumentar sua produção em 50% nos próximos dois anos. O vice-presidente Mark Nelson ressaltou que a empresa elevou a produção local de 40 mil para cerca de 240 mil barris diários nos últimos anos e mantém aproximadamente 3.000 funcionários em joint ventures no país. O compromisso é ampliar os investimentos para fortalecer a indústria petrolífera venezuelana e fomentar o desenvolvimento econômico.
Implicações para o mercado global e a estabilidade regional
O retorno condicionado das petrolíferas norte-americanas à Venezuela representa um movimento estratégico para explorar a maior reserva de petróleo do mundo e reativar a produção local. Entretanto, a efetivação desse retorno depende de mudanças regulatórias, estabilidade política e garantias jurídicas que ainda carecem de definições concretas. A iniciativa pode impactar a oferta global de petróleo e influenciar a retomada econômica da Venezuela, além de modificar o cenário geopolítico na América Latina.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Evelyn Hockstein/Reuters





