pf investiga investimentos da amprev no banco master e envolvimento de indicado de alcolumbre

Operação Zona Cinzenta da Polícia Federal apura irregularidades na gestão da previdência do Amapá com aplicação de recursos no Banco Master

pf investiga investimentos da amprev no banco master e envolvimento de indicado de alcolumbre
Prédio da Amapá Previdência, gestora do regime próprio de previdência do estado

Polícia Federal investiga aplicação de cerca de R$ 400 milhões da Amprev no Banco Master e o papel do diretor indicado pelo senador Davi Alcolumbre.

detalhes da operação zona cinzenta e contexto dos investimentos da amprev

A investigação da Amprev no Banco Master tem seu foco principal na atuação da Polícia Federal que, no dia 5 de fevereiro de 2026, deflagrou a Operação Zona Cinzenta para apurar potenciais irregularidades na gestão dos recursos do regime próprio de previdência do Amapá. O caso envolve a aplicação de aproximadamente R$ 400 milhões em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro. Jocildo Silva Lemos, diretor-presidente da Amprev e indicado político do senador Davi Alcolumbre, está entre os principais investigados.

composição e papel dos envolvidos na gestão da amprev

A Amprev é gerida por um comitê de investimentos que inclui, além do diretor-presidente Jocildo Silva Lemos, dois membros: Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves. Lemos assumiu o cargo em 2023 por indicação de Alcolumbre e já havia exercido função de tesoureiro na campanha eleitoral do senador. A presença de Alberto Alcolumbre, irmão do senador, no conselho fiscal da Amprev, embora não seja alvo das investigações, reforça a ligação política na condução da entidade.

quadro financeiro da amprev e o impacto dos investimentos no banco master

De acordo com dados oficiais referentes a 2024, o fundo de previdência do Amapá possuía ativos circulantes no valor de R$ 10 bilhões, com R$ 8,3 bilhões aplicados em investimentos de curto prazo. Apesar do volume expressivo, o patrimônio líquido apresenta déficit de R$ 387 milhões quando considerados os passivos futuros. A aplicação de quase R$ 400 milhões no Banco Master representa 4,7% do patrimônio total, segundo a gestão estadual, que afirma não haver risco à sustentabilidade do regime previdenciário, projetada até 2059.

sequência das aplicações e alertas ignorados na estratégia de investimento

Documentos da investigação indicam que as três aplicações no Banco Master ocorreram em um intervalo inferior a 20 dias, todas aprovadas em reuniões realizadas em julho de 2024. Dois integrantes do comitê de investimentos manifestaram ressalvas quanto à compra dos títulos, mas o diretor-presidente desconsiderou os alertas. A articulação das operações teria ignorado alertas prévios do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União, que já investigavam fraudes relacionadas a esse tipo de aplicação.

implicações legais e andamento da investigação com mandados judiciais

A Operação Zona Cinzenta cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em Macapá, autorizados pela 4ª Vara de Justiça Federal. A investigação foca nos crimes de gestão temerária e gestão fraudulenta, buscando esclarecer os critérios e procedimentos adotados pela Amprev nas aplicações financeiras. O Ministério Público do Estado do Amapá acompanha o caso, que tramita sob sigilo, enquanto o governo do estado defende a solidez financeira da autarquia e a legalidade dos investimentos realizados.

repercussão e perspectivas para os fundos de previdência estaduais

Este caso no Amapá integra um cenário mais amplo de investigações em pelo menos seis estados que apuram aplicações similares em títulos do Banco Master. A polêmica destaca os desafios enfrentados por regimes próprios de previdência estaduais e municipais na administração de seus recursos, especialmente diante de riscos associados a investimentos de alto valor e a influência política na gestão. O episódio ressalta a necessidade de maior transparência e rigor na fiscalização para garantir a segurança dos fundos previdenciários e a confiança dos servidores e beneficiários.

Fonte: www1.folha.uol.com.br