PF justifica atraso em operação do Banco Master por dificuldades na localização de alvos

Diretor-geral da Polícia Federal cita endereços desatualizados e deslocamento de investigados como causas do atraso na 2ª fase da Operação Compliance Zero

PF apresentou dificuldades para localizar alvos na 2ª fase da Operação Compliance Zero, o que atrasou cumprimento das medidas judiciais contra o Banco Master.

Contexto do atraso na operação Compliance Zero contra o Banco Master

O atraso na operação que investiga possíveis fraudes no Banco Master, determinada pelo ministro Dias Toffoli do STF, foi justificado pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, no ofício enviado ao gabinete do magistrado em 14 de janeiro de 2026. A PF enfrentou dificuldades para localizar os alvos dos mandados durante a 2ª fase da Operação Compliance Zero, especialmente devido a endereços desatualizados e à mobilidade dos investigados, que estavam em deslocamento, circunstância agravada pelo período de janeiro, conhecido pela intensificação de viagens e deslocamentos nacionais e internacionais.

Desafios logísticos e operacionais enfrentados pela Polícia Federal

Segundo Andrei Rodrigues, a Polícia Federal trabalhava com informações que necessitavam de atualização constante para garantir o cumprimento efetivo dos mandados. A elevada capacidade financeira dos investigados facilitava sua mobilidade, dificultando a estabilização prévia dos locais onde deveriam ser cumpridas as medidas judiciais. Além disso, no mesmo dia estabelecido para a operação do Banco Master, a PF cumpriu outras ações complexas, como a nova fase da Operação Overclean, o que impactou a alocação de recursos e o tempo disponível para a investigação.

Reação do ministro Dias Toffoli e impactos na investigação

O ministro Dias Toffoli criticou a Polícia Federal, atribuindo a “inércia exclusiva” da corporação o atraso no cumprimento das medidas, especialmente na prisão preventiva de Fabiano Campos Zettel, cunhado do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Toffoli também determinou que todos os materiais apreendidos fossem lacrados e levados ao STF para perícia, buscando evitar vazamentos e garantir a integridade dos dados. Posteriormente, retirou da PF a responsabilidade pela perícia dos materiais, delegando-a à Procuradoria Geral da República, em razão de preocupações relacionadas à segurança da investigação.

Implicações para a fiscalização e controle do sistema financeiro

Na decisão judicial, Toffoli ressaltou possíveis vulnerabilidades na regulação e fiscalização do Banco Central sobre o Banco Master, destacando que a investigação revela um esquema mais amplo de gestão fraudulenta, desvio de valores e lavagem de dinheiro, aproveitando fragilidades do mercado de capitais. A mudança na condução da perícia e o questionamento sobre a capacidade da PF evidenciam desafios institucionais na apuração de crimes financeiros complexos.

Perspectivas para o desenrolar da investigação

A Polícia Federal manifestou preocupação com a mudança na responsabilidade da perícia, ressaltando riscos como bloqueio remoto e autodestruição lógica de dispositivos eletrônicos que podem comprometer a investigação. O diretor-geral Andrei Rodrigues solicitou reconsideração da decisão para garantir a continuidade e efetividade dos trabalhos. A investigação segue em andamento, com atenção sobre as medidas adotadas para superar as dificuldades logísticas e garantir o cumprimento das decisões judiciais no âmbito do Banco Master.