A adoção de pisos de preço nas negociações de terras raras garante maior estabilidade e previsibilidade para produtores como a mineradora Serra Verde

Piso de preço nas terras raras traz segurança financeira, protegendo produtores contra quedas bruscas e incentivando investimentos.
O papel do piso de preço nas terras raras e o acordo da Serra Verde
A relevância do piso de preço nas terras raras ganhou destaque com o recente acordo fechado em 20 de fevereiro de 2026 entre a mineradora brasileira Serra Verde e a empresa americana USA Rare Earth. Essa cláusula contratual estabelece um valor mínimo para a venda dos minerais críticos extraídos, protegendo o produtor contra quedas acentuadas no valor de mercado. O acordo envolve um pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro e a emissão de 126,849 milhões de ações da USA Rare Earth, totalizando aproximadamente US$ 2,8 bilhões para a Serra Verde.
Como o piso de preço impacta a estabilidade financeira dos produtores
No mercado de terras raras, caracterizado por forte concentração de oferta e processamento, o piso de preço nas terras raras reduz a exposição dos produtores a grandes variações e incertezas. Ao assegurar uma receita mínima mesmo em cenários de baixa, essa ferramenta contribui para a previsibilidade financeira dos projetos, fator essencial para convencer investidores, instituições financeiras e parceiros a apoiarem iniciativas mineradoras. Assim, o piso não elimina todos os riscos, mas oferece um colchão de segurança para o fluxo de caixa futuro.
A influência da China e a concentração da cadeia produtiva global
Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a China domina aproximadamente 60% da produção global minerada de terras raras magnéticas, mais de 90% do refino e quase 95% da fabricação de ímãs permanentes, elementos essenciais para tecnologias modernas. Essa concentração resulta em competitividade acirrada, com preços frequentemente abaixo do custo para produtores fora da China. O piso de preço nas terras raras surge como resposta para equilibrar essa dinâmica, tornando viáveis projetos minerais fora do polo dominante e incentivando a diversificação das cadeias de suprimentos.
Benefícios econômicos e estratégicos para novos empreendimentos
Empreendimentos minerais demandam altos investimentos e longos prazos para retorno. A adoção do piso de preço nas terras raras melhora a modelagem financeira, fortalecendo a atratividade para financiamentos e parcerias. Essa garantia mínima de receita reduz a percepção de risco comercial, fundamental para o avanço de projetos em países como o Brasil. Além disso, a cláusula pode ser estruturada para preservar parte dos ganhos em períodos de alta dos preços, permitindo que os produtores capturem valor sem abrir mão da proteção em momentos adversos.
Detalhes do contrato de offtake da Serra Verde e seus impactos no mercado
O contrato de offtake firmado entre Serra Verde e USA Rare Earth possui duração de 15 anos e prevê pisos de preço para elementos estratégicos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Ele cobre 100% da produção da fase 1 destinada a um veículo de propósito específico apoiado por entidades governamentais dos EUA e investidores privados. Essa operação representa um marco para o setor brasileiro de terras raras, conferindo maior segurança e atraindo capital para o desenvolvimento da cadeia produtiva nacional.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: David Becker




