Planalto busca priorizar projeto do trabalho por aplicativos na Câmara

Ministros articulam com Hugo Motta para acelerar votação da regulamentação do trabalho por apps após recesso parlamentar

Planalto busca priorizar projeto do trabalho por aplicativos na Câmara
Presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva em encontro oficial. Foto: Ton Molina/NurPhoto via Getty Images

O Palácio do Planalto busca garantir prioridade na votação do projeto que regulamenta o trabalho por aplicativos na Câmara dos Deputados.

Governo articula prioridade para votação do trabalho por aplicativos na Câmara

O Palácio do Planalto intensifica esforços para garantir que o projeto de regulamentação do trabalho por aplicativos tenha prioridade máxima na pauta da Câmara dos Deputados após o recesso parlamentar. Os ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) dialogam diretamente com o presidente da Casa, Hugo Motta, para acelerar a análise desse tema crucial para milhões de brasileiros.

Principais pontos do projeto de regulamentação negociado com o Planalto

O texto do relator, deputado Augusto Coutinho, aprovado pelo governo, estabelece um piso salarial mínimo de R$ 8,50 para corridas curtas e entregas, além de definir as alíquotas da contribuição previdenciária para trabalhadores e plataformas. O projeto também determina seguro obrigatório de vida e acidentes, com cobertura mínima de R$ 120 mil durante e após o serviço. Outro destaque é a exigência de transparência nos algoritmos que distribuem corridas e avaliam os motoristas e entregadores, proibindo jornadas mínimas obrigatórias, punições por recusa de corridas e exclusividade.

Estratégia do Planalto para o diálogo direto com trabalhadores por aplicativos

Desde outubro, Guilherme Boulos coordena um grupo de trabalho interministerial dedicado ao tema, além de estabelecer uma linha direta com representantes da categoria. Seu assessor Severino Alves, fundador do Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos, atua como interlocutor principal, buscando ampliar a participação dos coletivos que representam motoboys e motoristas. A iniciativa visa superar a fragmentação tradicional dos sindicatos e fortalecer o engajamento direto com quem atua nas plataformas digitais.

Reação da Câmara e desafios para conciliar interesses divergentes

Hugo Motta reconhece a relevância do projeto para o país, mas ressalta as dificuldades em harmonizar as demandas dos trabalhadores e as reservas apresentadas pelas empresas de aplicativos. Segundo ele, embora ainda sem datas definidas para votação, o processo está avançando com negociações para ajustar pontos controversos, buscando um equilíbrio entre proteção social e viabilidade econômica.

Contexto político e impacto do projeto na relação entre governo e trabalhadores digitais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem manifestado incômodo com a aproximação de parte dos trabalhadores por aplicativos a pautas conservadoras, o que tem motivado esforços para reconectar essa categoria com as políticas progressistas do governo. A regulamentação aparece como ferramenta fundamental para garantir direitos e segurança a esses profissionais, além de fortalecer o diálogo institucional e evitar conflitos trabalhistas mais severos no futuro.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Ton Molina/NurPhoto via Getty Images