Plano Safra 26/27 amplia crédito privado em meio a desafios fiscais

O avanço do crédito rural privado marca o Plano Safra 26/27, que enfrenta juros elevados e restrições do Tesouro Nacional

Plano Safra 26/27 amplia crédito privado em meio a desafios fiscais
Crédito rural apresenta mudanças no perfil de financiamento Foto: Canal Rural

O Plano Safra 26/27 deve avançar com mais recursos privados e menor participação do Tesouro, diante da alta da Selic e do cenário fiscal restrito.

O avanço do Plano Safra 26/27 no contexto de juros elevados e restrições fiscais

O Plano Safra 26/27 representa uma mudança estrutural no financiamento do agronegócio brasileiro, consolidando a maior participação do crédito privado diante de juros elevados e limitação fiscal. Segundo técnicos da equipe econômica, o crescimento do crédito público será mais restrito, ampliando o peso dos instrumentos privados no financiamento da safra. Essa transição reflete um cenário em que o Tesouro Nacional busca ampliar o volume de recursos destinados sem elevar proporcionalmente os gastos públicos, em meio a uma taxa Selic ainda elevada.

A diversificação do sistema financeiro agrícola com 25 instituições operantes

A abertura do modelo de distribuição dos recursos equalizados do Plano Safra para um formato concorrencial permitiu a saída da concentração quase absoluta no Banco do Brasil. Atualmente, 25 instituições atuam no financiamento rural, o que proporcionou uma significativa queda no spread das operações, de 4,81% para 2,90%. Este movimento favoreceu a entrada e o crescimento das cooperativas de crédito, como Sicredi, Sicoob e Cresol, que destacam-se pelo atendimento personalizado e acompanhamento próximo dos produtores, reduzindo a inadimplência.

O fortalecimento das cooperativas como atores centrais do crédito rural

As cooperativas de crédito têm se mostrado resilientes e eficientes no contexto atual. Por exemplo, a Cresol ampliou seus ativos de menos de R$ 10 bilhões para mais de R$ 50 bilhões em poucos anos, acompanhada de perto pelo governo. Esse modelo de atendimento individualizado permite renegociações preventivas, reduzindo a inadimplência, contrastando com experiências anteriores de bancos maiores que enfrentaram altos índices de inadimplência devido à concessão massiva sem acompanhamento adequado.

O papel crescente do mercado de capitais no financiamento do agronegócio

Em paralelo, o mercado de capitais ganhou relevância no financiamento privado do agronegócio, com um volume mantido na casa de R$ 1,4 trilhão em março. Instrumentos como a Cédula de Produto Rural (CPR), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) apresentaram crescimento consistente, refletindo a preferência pelo crédito empresarial sustentado por essas modalidades diante da retração dos financiamentos tradicionais de custeio, investimento e comercialização.

Propostas das cooperativas e desafios para o Plano Safra 26/27

O Sistema OCB defende um orçamento ambicioso de R$ 674 bilhões para a safra 2026/2027, com destaque para recursos destinados a custeio, comercialização e investimentos em agroindustrialização, além de valores para equalização de juros. O principal desafio será equilibrar esse crescimento moderado, próximo à correção pela inflação, com a alta Selic e as restrições fiscais, promovendo um sistema financeiro rural mais competitivo, pulverizado e menos dependente dos recursos diretos do Tesouro Nacional.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Canal Rural