Operação Azzardo identifica movimentação de R$ 1 bilhão em cinco estados usando clínica e loja de tarô como cobertura

A Polícia Civil do DF desarticulou nesta quinta-feira (5) um esquema que movimentou cerca de R$ 1 bilhão de forma ilegal usando empresas de fachada
A Polícia Civil do Distrito Federal desarticulou nesta quinta-feira (5) um esquema bilionário envolvendo casas de apostas esportivas online que movimentou cerca de R$ 1 bilhão de forma ilegal em cinco estados e no DF.
Segundo o inquérito, os pagamentos por Pix para essa plataforma eram direcionados a empresas com atividades declaradas sem relação com apostas, como uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô, ambas com endereço em Sobradinho, uma região administrativa do DF.
As apurações identificaram empresas abertas entre fevereiro e julho de 2026, com capitais sociais idênticos e endereços concentrados nas regiões de Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia. Nos locais declarados, os policiais encontraram imóveis vazios e outros estabelecimentos comerciais. Em um único lote de Ceilândia, dez empresas indicavam o mesmo telefone.
As apurações apontam ainda o uso de dezenas de empresas de fachada para receber os pagamentos, concentrar os valores e redistribuí-los entre pessoas, empresas e instituições de pagamento, inclusive com conversão em criptoativos, conforme a polícia.
A investigação também alcança uma fintech de São Paulo, na avenida Brigadeiro Faria Lima, autorizada pelo Banco Central a funcionar como sociedade de crédito direto. Nas simulações realizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda, as cobranças por Pix dos sites investigados levavam a inúmeras contas de empresas de fachada mantidas nessa instituição financeira.
A fintech de São Paulo também mantinha contas de outras empresas do esquema, com rodízio de procuradores, segundo a polícia. Informações financeiras relativas à instituição e a empresas do mesmo grupo indicam movimentação de cerca de R$ 1 bilhão, incluindo repasses à empresa investigada e pagamentos relacionados a casas de apostas sem autorização.
Em 30 de julho de 2026, o Banco Central divulgou a intenção de cancelar a autorização de funcionamento desta fintech. A instituição financeira, duas empresas do mesmo grupo e seus dirigentes são alvos das medidas de busca e bloqueio cumpridas na operação de hoje no valor de R$ 3,4 bilhões. No caso da fintech, a restrição judicial alcança apenas os recursos próprios da sociedade, preservando as contas de clientes que não são investigados.
O grupo é alvo na manhã desta quinta-feira (5) da operação Azzardo, que mobiliza cerca de 200 policiais civis da Polícia Civil do DF e das polícias civis de São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. O termo Azzardo, do italiano gioco d’azzardo, significa jogo de azar na tradução livre.






