Polícia civil indicia donos da academia C4 Gym por homicídio em São Paulo

Investigação aponta dolo eventual no caso da morte registrada após intoxicação na piscina da academia

Polícia civil indicia donos da academia C4 Gym por homicídio em São Paulo
Fachada da academia C4 Gym em São Paulo, local do incidente fatal

Polícia civil indiciou sócios da academia C4 Gym por homicídio após morte de mulher intoxicada na piscina.

A polícia civil indiciou os sócios da academia C4 Gym, localizada em São Paulo, por homicídio com dolo eventual em decorrência da morte de uma mulher no último sábado (7). A investigação aponta que sete pessoas apresentaram sinais de intoxicação após contato com a piscina do estabelecimento. Os sócios Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração prestaram depoimento no 42° Distrito Policial, no Parque São Lucas, zona leste da capital, e aguardam decisão judicial sobre pedido de prisão.

Contexto do caso e responsabilidades dos sócios

O indiciamento por dolo eventual implica que os sócios não desejaram diretamente a morte, mas assumiram o risco ao adotar condutas negligentes. A polícia apura que a academia não tinha alvará para funcionar e apresentava irregularidades, como instalação elétrica inadequada, com ligação da piscina à cozinha, e armazenamento impróprio dos produtos químicos utilizados na limpeza da piscina. O manobrista Severino José da Silva relatou que realizava a limpeza e manutenção da piscina sem habilitação técnica, seguindo apenas orientações remotas via mensagens enviadas por um dos sócios.

Procedimentos inadequados na manutenção da piscina e riscos à saúde

Segundo depoimentos, o funcionário responsável pela limpeza não possuía formação para manusear produtos químicos. As instruções recebidas indicavam a dosagem de produtos para a limpeza da água, que estava turva e com sinais de contaminação como espuma. Um técnico foi contratado por poucos dias para ajustar a qualidade da água, mas a manutenção permanente foi recusada pelos sócios. No dia do incidente, o manobrista preparou soluções de cloro e as deixou próximas à piscina enquanto alunos ainda nadavam, o que pode ter provocado a liberação de gases tóxicos que causaram as intoxicações.

Impacto e medidas adotadas após o incidente

A vítima fatal, Juliana Faustino Bassetto, 27 anos, que tinha problemas respiratórios, havia iniciado aulas de natação para tratar seus sintomas. Após o contato com a água da piscina, ela e seu marido passaram mal. Juliana faleceu após parada cardíaca no hospital, enquanto o marido permanece internado em estado grave. A academia evacuou o local após perceber forte odor e acionou o SAMU e Corpo de Bombeiros. A direção da C4 Gym divulgou nota lamentando o ocorrido, garantindo colaboração com as autoridades e afirmando possuir o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, além de estar regular no Conselho Regional de Educação Física e Vigilância Sanitária.

Próximos passos nas investigações e perspectivas legais

O delegado Alexandre Bento, responsável pela investigação, anunciou que novas informações serão divulgadas em coletiva de imprensa. A polícia aguarda a decisão do judiciário sobre o pedido de prisão dos sócios indiciados. A análise do celular do funcionário que fazia a limpeza vem contribuindo para elucidar as responsabilidades. O caso evidencia a necessidade de rigor na fiscalização de estabelecimentos que envolvem risco à saúde pública, sobretudo na manipulação de produtos químicos e manutenção de equipamentos utilizados por frequentadores.

Este episódio reforça a atenção sobre a segurança em ambientes esportivos e a importância de protocolos técnicos adequados para prevenir tragédias.

Fonte: noticias.uol.com.br