Comunicação burocrática e atraso na operação Compliance Zero colocam em risco prisão de suspeito com viagem marcada para Dubai
A Polícia Federal atrasou a 2ª fase da operação Compliance Zero, quase permitindo que um investigado do Banco Master fugisse para o exterior.
Contexto do atraso da Polícia Federal na operação Compliance Zero
A Polícia Federal atraso operação Compliance Zero em janeiro de 2026, o que quase permitiu que um investigado do Banco Master fugisse para o exterior. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, enviou documentação ao órgão em 6 de janeiro e determinou a execução da segunda fase da operação com prazo de 24 horas a partir de 12 de janeiro. No entanto, a PF só deflagrou as ações na manhã do dia 14, provocando insatisfação e cobranças do magistrado.
Falhas na comunicação entre a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal
Apesar da urgência da situação, a Polícia Federal optou por um caminho protocolar para relatar o atraso, comunicando-se via sistema eletrônico do STF apenas às 19h13 do dia 13 de janeiro. Essa formalidade burocrática atrasou a resposta. O núcleo da investigação descobriu que Fabiano Zettel, cunhado do fundador do Banco Master, tentaria embarcar para Dubai às 5h do dia 14. Mesmo diante deste risco, não houve contato direto por telefone ou WhatsApp da PF com o ministro Toffoli, ficando a comunicação restrita ao meio formal, o que agravou a desconfiança do magistrado.
Resposta do diretor-geral da Polícia Federal e justificativas para o atraso
Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, respondeu às críticas do ministro Toffoli, alegando que o atraso ocorreu por “circunstâncias estritamente operacionais” e pela necessidade de confirmar endereços de investigados, muitos deles com alta mobilidade nacional e internacional, em um período tradicionalmente marcado por viagens. Rodrigues ressaltou que houve comunicações prévias nos dias 11 e 12 de janeiro, porém não no dia do atraso. Ele também mencionou a sobrecarga operacional da corporação, com múltiplas operações simultâneas, e alertou para os riscos de deflagração sem o planejamento adequado, que poderiam resultar em diligências frustradas e prejuízo à investigação.
Repercussões e medidas tomadas no âmbito do STF e da Polícia Federal
A tensão provocada pelo atraso e pelo estilo de comunicação da PF gerou uma desconfiança entre a corporação e o relator do caso, ministro Dias Toffoli. Como medida de precaução, o magistrado determinou que todo o material apreendido na operação fosse lacrado e guardado no STF, ao invés da PF, para evitar qualquer risco de manipulação ou extravio. Posteriormente, o procurador-geral da República solicitou que as provas fossem mantidas no Ministério Público Federal, decisão que Toffoli acatou, mantendo críticas à PF e ao Banco Central pela condução do caso.
Aproximação simbólica entre Polícia Federal e Banco Central em meio a investigações
O episódio também gerou uma aproximação pública entre a Polícia Federal e o Banco Central. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, visitou pessoalmente a sede da PF para um encontro com Andrei Rodrigues. O gesto reforça uma aliança tácita entre as duas instituições em meio às investigações sobre o Banco Master, contrapondo-se à pressão exercida pelo ministro Toffoli para acelerar os procedimentos investigativos. Essa reunião inédita simboliza a complexidade e a sensibilidade das operações em curso.
Impactos na condução das investigações e próximos passos
Ainda em 15 de janeiro, o ministro Toffoli indicou quatro peritos de sua confiança na Polícia Federal para a perícia dos dados dos celulares de Daniel Vorcaro e demais provas, sob acompanhamento da Procuradoria Geral da República. A atuação detalhada desses técnicos visa garantir a transparência e integridade da investigação. O episódio evidencia a importância do equilíbrio entre rigor operacional e cumprimento tempestivo de ordens judiciais, com implicações diretas na credibilidade das instituições envolvidas.





