Análise do impacto da abordagem unilateral americana liderada por Trump sobre a ordem mundial em 2026

A política externa de Trump em 2026 adota uma postura unilateral que desmantela normas tradicionais e desafia a estabilidade global.
O impacto da política externa de Trump na ordem mundial em 2026
A política externa de Trump, em 2026, redefine a influência dos Estados Unidos no cenário global ao adotar uma estratégia de poder unilateral e desvinculada das normas internacionais. Conforme destacado no relatório Top Risks 2026 do Eurasia Group, essa abordagem ameaça a estabilidade mundial ao desmontar a ordem global estabelecida após a Segunda Guerra Mundial. Ian Bremmer, fundador do Eurasia Group, ressalta que o presidente americano age conforme a “lei da selva”, impondo sua vontade por meio da força e coerção, sem respeitar instituições ou alianças tradicionais.
A captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro ilustra essa nova era de poder americano sem limites. Após meses de pressão econômica e militar, forças especiais dos EUA conduziram Maduro a Nova York para responder a acusações legais, demonstrando a disposição americana em agir unilateralmente na região. Esse movimento reflete a chamada “Doutrina Donroe”, versão modernizada da histórica afirmação da primazia americana nas Américas, agora baseada em coerção e pressão direta.
Estratégias de poder unilateral e suas consequências para as relações hemisféricas
Ao contrário do isolamento pregado no slogan “América em Primeiro Lugar”, Trump intensifica o envolvimento dos EUA no Hemisfério Ocidental, aplicando pressão militar e econômica sobre países como Venezuela, Cuba, Colômbia, Nicarágua, México e até Groenlândia. Essa abordagem tem como objetivo dobrar a região à vontade americana, explorando a assimetria de poder que os EUA possuem sobre seus vizinhos.
Apesar de manter regimes repressivos como o venezuelano, desde que cumpram seus interesses, Trump utiliza o acesso a recursos estratégicos, como petróleo venezuelano, para consolidar sua influência. Esse tipo de política, baseada em coerção direta, cria uma instabilidade estrutural na região e dificulta a transição para governos democráticos estáveis.
Relações com potências globais e ausência de estratégias tradicionais
A política externa de Trump desconsidera modelos tradicionais como o isolamento, o equilíbrio de esferas de influência ou a distinção clara entre aliados e adversários. Exemplo disso é a postura americana no Indo-Pacífico, onde o envio de armamentos significativos a Taiwan demonstra a intenção de não ceder espaço para a China.
A gestão das relações com a China evidencia uma mistura de confronto econômico e tentativa de distensão. Após o aumento das tarifas e a represália chinesa com restrições a minerais estratégicos, Trump recuou para buscar um acordo, evidenciando uma política pragmática porém imprevisível. Essa instabilidade reflete uma política externa baseada na capacidade de revidar e na busca de acordos vantajosos quando o poder unilateral não é suficiente.
Ameaças à Europa e o enfraquecimento das alianças tradicionais
Além das Américas e da Ásia, a Europa também enfrenta pressões derivadas da política externa americana. Com governos fragilizados e desafios populistas internos, as principais economias europeias veem sua influência ser minada por um governo americano que apoia abertamente forças de extrema direita, fragmentando ainda mais o continente.
A ameaça à Groenlândia e o enfraquecimento das alianças tradicionais indicam que a Europa pode estar em desvantagem para reagir a essas pressões. A perda da credibilidade americana, construída ao longo de décadas, compromete a capacidade dos EUA de exercer influência global por meio de parceiros e instituições multilaterais, enfraquecendo sua posição a longo prazo.
O legado duradouro da política externa unilateral de Trump para os Estados Unidos
A política externa de Trump queima a herança de alianças e credibilidade que tradicionalmente multiplicavam a força americana. Governar como se o poder dos EUA fosse absoluto e sem consequências de longo prazo coloca em risco a própria influência americana no futuro.
Reconstruir alianças e recuperar credibilidade provavelmente exigirá gerações, se for possível. Enquanto isso, potências como a China observam uma oportunidade para fortalecer sua posição global, adotando uma estratégia de longo prazo enquanto os EUA se envolvem em confrontos imediatistas, sem considerar os custos duradouros.
Assim, 2026 representa um ponto de virada para a política global, quando o país que criou as regras decide não seguir mais por elas, criando um ambiente de incerteza e potencial instabilidade mundial.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Ian Bremmer





