Professor da FGV aponta que percepção pública vê negociações políticas como ilegítimas no sistema brasileiro

Especialista da FGV analisa como o presidencialismo multipartidário brasileiro gera desconfiança devido a negociações políticas vistas como ilegítimas.
Os desafios do presidencialismo multipartidário brasileiro
O presidencialismo multipartidário brasileiro, vigente no cenário político atual, depende diretamente de negociações constantes entre diversos atores para a formação de maiorias no Congresso Nacional. Essa característica foi destacada pelo cientista político Carlos Pereira, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), durante sua análise no programa “WW Especial”. Segundo ele, essa dinâmica é percebida pela população como um “jogo sujo”, repleto de intercorrências e compensações políticas que comprometem a legitimidade do processo.
Percepção pública e insatisfação com o sistema político
Embora o Brasil apresente sinais claros de uma democracia funcional — como estabilidade institucional, calendário eleitoral respeitado e garantia da posse do vencedor — a percepção dominante na sociedade é de desconfiança e insatisfação. Para Pereira, o problema não está no funcionamento das instituições, mas na forma como as negociações são interpretadas pelos cidadãos. A oferta de emendas orçamentárias, a distribuição de ministérios e o uso de recursos públicos para angariar apoio no Legislativo são vistos como práticas que soam ilegítimas e baseadas em interesses pessoais, e não em ideologias ou programas.
Impactos do modelo político na confiança da população
A compreensão do parlamentarismo multipartidário no Brasil envolve entender que o sistema exige concessões constantes para manter a governabilidade. No entanto, essas concessões, quando percebidas como trocas de favores, alimentam um sentimento de “mal-estar permanente” entre o eleitorado, que não se traduz em ruptura institucional, mas sim em uma crise de legitimidade. Esse paradoxo, segundo o professor Pereira, é inexorável e reflete o dilema central do presidencialismo multipartidário brasileiro.
O papel das negociações políticas para a estabilidade institucional
Apesar das críticas, as negociações políticas são essenciais para assegurar a estabilidade e o funcionamento do sistema democrático no Brasil. As alianças e compensações permitem que o Executivo forme maiorias no Legislativo, facilitando a aprovação de leis e políticas públicas. Contudo, a transparência e a percepção dessas práticas ainda precisam ser aprimoradas para que a população entenda que essas ações são parte do jogo democrático e não gestos ilegítimos.
Caminhos para aumentar a legitimidade do presidencialismo multipartidário
Para superar o descrédito da população em relação ao sistema político brasileiro, especialistas sugerem a necessidade de reforçar a comunicação sobre os processos parlamentares e ampliar a transparência das negociações. A adoção de medidas que limitem práticas clientelistas e promovam maior accountability pode contribuir para reduzir a sensação de jogo político sujo e restaurar a confiança da sociedade nas instituições democráticas.
O debate sobre o presidencialismo multipartidário brasileiro revela um sistema robusto que, contudo, enfrenta desafios na relação com o eleitorado. A análise de Carlos Pereira evidencia que, embora as instituições estejam em funcionamento, o desafio maior reside em melhorar a percepção pública e a legitimidade das negociações políticas no país.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br





