Sabatina de Jorge Messias ao STF será realizada em 10 de dezembro, limitando tempo para construir apoio político.
Decisão de Davi Alcolumbre de apressar sabatina de Jorge Messias ao STF limita tempo de articulação política.
Prazo apertado de Alcolumbre limita articulação de Jorge Messias no Senado
Na última terça-feira, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, surpreendeu ao marcar para o dia 10 de dezembro a sabatina de Jorge Messias, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Essa decisão impõe um prazo apertado que pode complicar a trajetória do advogado-geral da União em busca de apoio político entre os senadores. Com apenas duas semanas para se preparar, Messias enfrenta um desafio considerável em um ambiente político já marcado por descontentamentos.
Historicamente, o tempo para articulação é crucial em processos de sabatina. No caso de Cristiano Zanin, por exemplo, indicado em junho de 2023, ele teve 20 dias para conquistar o apoio necessário, sendo aprovado com uma ampla margem de votos. Em contrapartida, Messias terá um intervalo muito menor, o que pode comprometer sua capacidade de estabelecer relacionamentos e construir uma base de apoio sólida entre os parlamentares.
Comparação com indicações anteriores
A situação de Messias se torna ainda mais complexa ao se comparar com outras indicações feitas por Lula neste terceiro mandato. O ex-ministro Flávio Dino, por exemplo, teve um período similar, mas em um clima político mais favorável. Dino enfrentou alguns obstáculos, mas conseguiu uma aprovação com uma margem mais modesta. O ambiente atual, no entanto, é diferente, e a resistência à indicação de Messias é palpável.
Alcolumbre, que não vê com bons olhos a escolha de Messias, preferiria que Lula tivesse indicado o senador Rodrigo Pacheco. Essa falta de apoio por parte do presidente do Senado pode criar um ambiente hostil para Messias, que precisará trabalhar arduamente para garantir sua aprovação. A agilidade na marcação da sabatina reduz o tempo disponível para o tradicional “beija-mão”, que envolve conversas reservadas e negociações com líderes partidários.
Desafios a serem enfrentados por Messias
Além disso, Messias chega ao Senado em um cenário de descontentamento, onde diversos senadores do Centrão e da oposição veem sua indicação com desconfiança. Diferente de Zanin e Dino, que encontraram um Senado mais aberto ao diálogo, Messias terá que conquistar voto a voto. A preocupação de seus aliados é que ele seja visto como excessivamente alinhado ao governo, o que pode prejudicar sua aceitação.
Interlocutores de Messias afirmam que ele deve enfatizar, em suas conversas com os senadores, que sua atuação no STF será pautada por aspectos técnicos, afastando qualquer percepção de viés ideológico. Essa estratégia pode ser fundamental para conquistar a confiança necessária entre os parlamentares.
A expectativa em torno da sabatina
A expectativa em torno da sabatina de Jorge Messias é alta, e sua aprovação poderá impactar diretamente outros assuntos em pauta no Senado, como a votação de emendas parlamentares e a relação com o governo. As próximas semanas serão decisivas para o advogado-geral da União, que precisa utilizar o tempo da melhor maneira possível para garantir seu lugar no STF. Com a pressão aumentando, a habilidade política de Messias será posta à prova em um dos momentos mais críticos de sua carreira.





