Preço da carne sobe para consumidor e cai para pecuarista em 2026

Alta do valor da carne no varejo contrasta com queda no preço pago aos produtores em São Paulo

Preço da carne sobe para consumidor e cai para pecuarista em 2026
Carne bovina atinge maior cotação no atacado enquanto preço recua no campo. Foto: Carne bovina atinge maior cotação no atacado e no campo preço recua • IA — Foto: Carne bovina atinge maior cotação no atacado e no campo preço recua  • IA

Mercado da carne apresenta alta para o consumidor e queda para o pecuarista em abril de 2026, refletindo desafios na oferta e demanda.

Mercado interno apresenta alta recorde no preço da carne bovina

O preço da carne no mercado interno segue em trajetória ascendente durante abril de 2026. Segundo relatório do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a carcaça casada bovina no atacado da Grande São Paulo atingiu R$ 25,41 por quilo, refletindo alta de 4% nas três primeiras semanas do mês. A média corrigida pela inflação alcançou R$ 25,05, a maior desde o início da série histórica em 2001, representando aumento de 11% em relação a abril de 2025 e 44,8% frente ao mesmo período de 2024. Exportações robustas e restrição no abate de animais prontos explicam essa escalada.

Exportação e oferta restrita pressionam o preço da carne no atacado

A expansão das exportações brasileiras de carne bovina, que atualmente absorvem cerca de 35% da produção, aliado ao controle no abate de fêmeas para garantir a reposição do rebanho, reduz a oferta de carcaças disponíveis para o mercado doméstico. Essa combinação gera pressão de alta nos preços do atacado e impacta o varejo. O analista Fernando Henrique Iglesias ressalta que embora essa tendência de alta persista, o baixo poder de compra do consumidor brasileiro deve limitar novos reajustes no varejo, incentivando a procura por proteínas alternativas como frango, ovos e carne suína.

Queda no preço da arroba para os pecuaristas pode indicar ajuste pontual

Diferente do que ocorre no varejo, o preço da arroba da carne bovina para os pecuaristas registrou queda recentemente. Após atingir o recorde nominal de R$ 367,30 no dia 15 de abril, a cotação caiu para R$ 362,00 em 24 de abril, refletindo negociações no mercado físico em São Paulo. De acordo com Hyberville Neto, analista da HN Agro, essa redução está ligada à menor demanda interna na segunda quinzena do mês, quando frigoríficos ajustam preços para estimular vendas. Além disso, incertezas quanto à demanda chinesa e o aumento da oferta contribuíram para esse movimento.

Ciclo pecuário e condições climáticas influenciam oferta e preços

O período de transição do outono para o inverno, tradicionalmente marcado pelo desmame dos bezerros e maior entrega de fêmeas para abate, combinado com a diminuição na qualidade das pastagens devido à estação seca, tende a aumentar a oferta de animais. Segundo o pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho, o preço do boi tem se acomodado após forte alta acumulada de mais de 25% em 2026. Historicamente, essa época do ano costuma pressionar os preços para baixo, com exceção do ano de 2020, quando houve um movimento diferente devido à retenção de fêmeas e melhora no ciclo pecuário.

Mercado futuro sinaliza expectativa de acomodação dos preços da arroba

No mercado futuro da B3, a arroba da carne bovina também apresentou recuo nos valores. O contrato mais valorizado em 6 de abril chegou a R$ 372,70, mas fechou em R$ 359,00 em 24 de abril para o mês vigente. Para junho, o preço projetado é de R$ 338,90, refletindo a expectativa de maior oferta de animais e ajuste de preços. Essa movimentação acompanha as tendências do mercado físico e indica que, apesar da alta histórica do preço da carne no varejo, os valores pagos aos pecuaristas e negociados no mercado futuro podem sofrer acomodação nos próximos meses.

Impacto no consumidor e alternativas proteicas ganham força

O aumento expressivo do preço da carne bovina no varejo pressiona o orçamento dos consumidores brasileiros, reduzindo o poder de compra e impulsionando a busca por alternativas mais acessíveis. Frango, ovos e carne suína têm se destacado como opções para manter a oferta de proteínas na dieta. Esse movimento evidencia o impacto direto das oscilações no mercado da carne sobre o consumo doméstico e ressalta a importância do equilíbrio entre oferta, demanda e preços para a sustentabilidade do setor agropecuário.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Carne bovina atinge maior cotação no atacado e no campo preço recua  • IA