Análise das expectativas para o mercado cafeeiro no próximo ano.
Expectativas indicam que o preço do café pode cair, mas não se tornará barato em 2026.
O preço do café, que em 2025 viveu momentos de alta histórica, apresenta sinais de queda para 2026. No entanto, essa redução não significa que o produto se tornará acessível. O clima favorável para a safra atual traz esperanças, mas os efeitos de anos anteriores de colheitas ruins ainda pesam sobre o mercado.
O cenário atual do café
Em fevereiro de 2025, o preço do café atingiu a maior inflação acumulada em 12 meses desde a introdução do real, levando até à criação de produtos alternativos, como o café feito de resíduos de lavoura. As previsões para o próximo ano, embora otimistas, indicam que a queda dos preços será modesta, dado que a oferta ainda é restrita devido a condições climáticas adversas.
Desafios climáticos e produção
O clima nos últimos anos, marcado por calor extremo e seca, prejudicou as colheitas, fazendo com que os cafezais se recuperassem lentamente. Renato Garcia Ribeiro, do Cepea, destaca que as lavouras ainda não atenderam à demanda total, refletindo em preços que, embora em queda, continuam altos. O primeiro declínio registrado em agosto de 2025 foi de apenas 0,23%.
As perspectivas para o final de 2025 e início de 2026 são encorajadoras, com a fase de florada das lavouras e a previsão de chuvas. Se as condições forem favoráveis, espera-se um aumento na produção de café arábica, que é a principal variedade cultivada no Brasil. No entanto, a recuperação dos estoques globais ainda ficará aquém do ideal.
Aumento da demanda e limitações de oferta
A demanda por café continua crescendo, especialmente após a eliminação de tarifas sobre o café brasileiro nos EUA. Para a safra 2026/2027, o Itaú BBA projeta que a produção mundial deve superar o consumo em 7 milhões de sacas, mas até lá, a oferta de arábica permanecerá limitada, com colheitas iniciando somente em abril e grãos prontos para o mercado apenas a partir de setembro.
Investimentos em variedades resistentes
Frente à escassez de arábica, os produtores começaram a investir mais na variedade robusta, que é mais resistente a condições climáticas extremas. Embora menos popular, seu cultivo tem mostrado resultados em termos de margem de lucro para os produtores, mesmo que leve tempo para que esses benefícios cheguem ao consumidor final.
O uso crescente de robusta em misturas de café, os blends, já está oferecendo um certo alívio nos preços. Como observa o economista do Itaú BBA, isso ajuda a amenizar os impactos da escassez de arábica e pode ser uma solução temporária até que a próxima safra traga melhores resultados.
Conclusão: um futuro incerto
Embora haja sinais de que os preços do café possam cair em 2026, os desafios persistem. A combinação de demanda crescente, oferta limitada e as incertezas climáticas sugerem que o café continuará sendo um produto com preços elevados, exigindo atenção dos consumidores e produtores.




