Preços da soja registram forte queda e alcançam patamar mínimo em cinco anos

Oferta global abundante e menor demanda chinesa pressionam os valores internos da soja no Brasil em abril de 2026

Preços da soja registram forte queda e alcançam patamar mínimo em cinco anos
Carregamento de soja no terminal Tiplam, no Porto de Santos. Foto: Carregamento de soja no terminal Tiplam, no Porto de Santos

Os preços da soja no Brasil caíram ao menor nível dos últimos cinco anos em abril, devido à oferta global elevada e menor demanda chinesa.

Contexto da queda dos preços da soja no Brasil em abril de 2026

Os preços da soja no Brasil registraram uma expressiva queda em abril de 2026, alcançando o menor nível dos últimos cinco anos para esse período. Esse movimento ocorre em meio a um cenário de ampla oferta global, demanda mais cautelosa e valorização do real frente ao dólar. De acordo com dados da Scot Consultoria, a saca de soja em Paranaguá iniciou o mês cotada a R$ 130,50, recuando para R$ 127,50 em 22 de abril, resultando em uma queda de 2,3% no período. Em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior, houve uma desvalorização de 6,9%. A análise do mercado indica que, apesar de a sazonalidade justificar a queda típica de abril devido ao avanço da colheita, a magnitude dessa queda em 2026 é incomum e motivada por fatores adicionais, como o excesso de oferta tanto no Brasil quanto no mercado internacional.

Produção recorde e impacto no mercado interno

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou a estimativa da safra brasileira para 179,2 milhões de toneladas em 2026, superando o volume da safra anterior e ampliando a disponibilidade interna. Esse aumento expressivo na produção coincide com uma demanda interna que não cresce no mesmo ritmo, gerando maior pressão sobre os preços domésticos. A abundância de soja no mercado interno reflete diretamente na queda das cotações, especialmente no período de colheita, quando a oferta é mais intensa.

Estoques elevados e dinâmica internacional da soja

No cenário global, os estoques finais de soja também alcançaram níveis elevados, com 124,8 milhões de toneladas reportados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Além disso, a migração de área plantada do milho para a soja nos EUA, estimulada por preços mais favoráveis para a oleaginosa, indica uma expectativa de aumento da oferta nos próximos ciclos. Esse contexto mundial reforça a pressão de baixa nos preços da soja e contribui para a atual desaceleração das cotações internacionais.

Redução da demanda chinesa e efeito sobre os preços brasileiros

A China, principal compradora da soja brasileira, reduziu sua participação nas importações nacionais, passando de 75,9% dos embarques em março de 2025 para 68,7% em março de 2026. Esse ajuste reflete a retomada das compras de soja dos Estados Unidos e a manutenção de estoques confortáveis no mercado chinês. Conforme análise do Head de Commodities da Granel Corretora, Gilberto Leal, a China mantém-se como principal destino, porém com compras mais distribuídas e maior poder de barganha, o que reduz os prêmios de exportação e exerce pressão direta sobre os preços da soja no Brasil.

Influência da valorização do real e perspectivas para o mercado

Outro fator relevante na dinâmica dos preços internos é a valorização recente do real frente ao dólar. Como a soja é cotada em dólar, a alta da moeda nacional tende a reduzir os preços domésticos. Apesar de as cotações na Bolsa de Chicago permanecerem acima dos níveis do ano anterior, esse efeito não é suficiente para compensar o conjunto de pressões internas e externas. Analistas destacam que, com o término da colheita se aproximando, o mercado pode encontrar algum suporte com a redução da oferta disponível no curto prazo, porém o espaço para uma recuperação significativa dos preços deve ser limitado, dado o balanço global confortável.

Competitividade da soja brasileira frente à concorrência internacional

Apesar do aumento da concorrência internacional, a soja brasileira mantém sua competitividade no comércio global. Gilberto Leal ressalta que o produto nacional continua bem posicionado, mesmo com a China ampliando as compras de soja da Argentina, que disputa espaço com a soja norte-americana. Essa posição reforça a relevância do Brasil no mercado mundial de soja, embora o contexto atual exija atenção às mudanças na dinâmica global de oferta e demanda.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Carregamento de soja no terminal Tiplam, no Porto de Santos