Dr. Furlan deixa o cargo e se prepara para concorrer ao governo do Amapá em meio a investigações da Polícia Federal

Prefeito de Macapá renuncia após decisão do STF que o afastou, em meio a investigações de desvio de recursos públicos.
Prefeito de Macapá renuncia após afastamento pelo STF na investigação de desvio de recursos
O prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), apresentou formalmente pedido de renúncia ao mandato nesta quinta-feira (5), após ter sido afastado do cargo por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A renúncia ocorre em meio a uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre suspeitas de desvio de recursos federais destinados à construção do Hospital Geral Municipal.
Investigação da Polícia Federal aponta esquema de fraude e desvio milionário
A operação Paroxismo, conduzida pela PF, apura possível esquema criminoso envolvendo agentes públicos e empresários, com foco na licitação do contrato de cerca de R$ 70 milhões firmado pela Secretaria Municipal de Saúde de Macapá. Segundo o relatório da PF, há indícios de fraude no processo licitatório, incluindo o fato de a empresa vencedora, Santa Rita Engenharia Ltda., ter apresentado proposta praticamente idêntica ao orçamento fornecido pela própria prefeitura, indicando acesso prévio às informações.
Além disso, os sócios da empresa realizaram movimentações anômalas de recursos em espécie, totalizando mais de R$ 9 milhões em saques, não reinseridos no circuito financeiro e sem comprovação de uso na execução das obras. Parte desses valores teria sido transportada em veículos ligados ao então prefeito Dr. Furlan, e transferências financeiras foram realizadas para contas associadas à ex-esposa e à atual companheira do prefeito.
Consequências políticas e legais do afastamento e renúncia
O afastamento do prefeito e do vice-prefeito, Mario Neto, foi justificado pelo ministro Flávio Dino pela necessidade de preservar a integridade das investigações, evitando acesso a documentos e sistemas municipais que poderiam ser manipulados ou ocultados. Com a renúncia de Dr. Furlan, o presidente da Câmara de Vereadores de Macapá, Pedro dos Santos Martins (Pedro DaLua, União Brasil), assumiu interinamente a prefeitura, enquanto a vereadora Margleide Alfaia (PDT) passou a presidir a Câmara Municipal.
A renúncia de Dr. Furlan também atende a exigência constitucional, pois ele pretende concorrer ao cargo de governador do Amapá nas eleições de 2026, e a legislação exige que prefeitos renunciem para disputar cargos executivos estaduais.
Impacto na administração pública e no cenário político do Amapá
O caso envolvendo o prefeito de Macapá evidencia desafios significativos na gestão pública local, particularmente no controle de recursos federais e na transparência dos processos licitatórios. Além do impacto administrativo, a investigação e os desdobramentos políticos podem influenciar o cenário eleitoral estadual, com a saída de Dr. Furlan da prefeitura e sua candidatura ao governo do estado.
As autoridades continuam acompanhando o andamento das investigações, que podem resultar em novas ações judiciais e administrativas. O episódio reforça a importância do combate à corrupção e da fiscalização rigorosa para preservar os recursos públicos e a confiança da população.
Medidas adotadas e perspectivas futuras para Macapá
Com a transição interina na prefeitura, a Câmara Municipal de Macapá enfrenta o desafio de estabilizar a gestão e garantir a continuidade dos serviços públicos. A expectativa é que novas medidas de controle e transparência sejam implementadas para evitar repetições de irregularidades.
No âmbito político, a renúncia de Dr. Furlan abre espaço para discussões sobre os rumos da prefeitura e o fortalecimento das instituições locais. A população e os órgãos de controle acompanham atentamente os próximos passos das investigações e das ações administrativas no município.
Este cenário destaca a complexidade das relações entre poder político, gestão pública e controle social, especialmente em contextos de investigações por corrupção e desvio de recursos.





