Presidente do INSS destaca irregularidades em contrato com Banco Master

Gilberto Waller Júnior relata suspeitas e problemas em acordos de crédito consignado com a instituição financeira

Presidente do INSS revelou desconfianças sobre contrato com Banco Master após grande número de denúncias de pensionistas.

Contexto e início da suspeita sobre o contrato com Banco Master

Em 5 de fevereiro de 2026, durante depoimento à CPMI do INSS, Gilberto Waller Júnior, presidente da autarquia, afirmou que já desconfiava do contrato com Banco Master desde setembro. As suspeitas surgiram em razão de inúmeras reclamações e denúncias apresentadas por pensionistas, que indicavam irregularidades no serviço de crédito consignado oferecido pela instituição. Waller destacou que a iniciativa do INSS foi solicitar a análise detalhada dos contratos para identificar possíveis falhas ou fraudes.

Detalhes das irregularidades apontadas pela autarquia

Segundo Waller Júnior, a análise dos contratos do Banco Master revelou ausência de informações essenciais, como valores emprestados, taxas de juros e custo efetivo total. Além disso, a assinatura eletrônica dos segurados não possuía comprovação adequada, como QR code ou métodos que garantissem a autenticidade do documento. Estas falhas comprometeram a confiança do INSS na validade dos contratos e impossibilitaram a assinatura de termos de compromisso para continuidade do serviço.

Cancelamento dos contratos e silêncio do Banco Master

Os contratos entre o INSS e o Banco Master foram cancelados em 8 de outubro de 2025. Após este cancelamento, a instituição financeira permaneceu em silêncio até o final do mês, não buscando contato para negociações, devolução da carteira de clientes ou esclarecimentos. Somente perto do final de outubro, representantes do banco retomaram o contato, mas ainda assim não apresentaram mais de três mil contratos. A ausência de diálogo foi interpretada pelo presidente do INSS como um indicativo da gravidade da situação.

Investigação e apuração do Banco Master pelo Banco Central e Polícia Federal

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, após operação da Polícia Federal, denominada Compliance Zero, que apurou a emissão de títulos de crédito falsos para inflar sua carteira de investimentos. O proprietário da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso temporariamente e liberado com medidas restritivas. Apesar da CPMI do INSS não focar diretamente no escândalo financeiro, ela investiga possíveis ligações do banco com fraudes envolvendo descontos em benefícios de aposentados e pensionistas.

Próximos passos e convocação de Daniel Vorcaro na CPMI

Daniel Vorcaro foi convocado para depor na CPMI do INSS, porém seu depoimento foi adiado para depois do Carnaval, marcado para o dia 26. A comissão pretende esclarecer o papel do Banco Master e seus dirigentes nos contratos suspeitos, buscando responsabilização e medidas para proteger os beneficiários do INSS de práticas lesivas. O caso evidencia a importância da fiscalização rigorosa em contratos financeiros relacionados a programas sociais e de seguridade.

Impactos e lições para o sistema de crédito consignado do INSS

A exposição das irregularidades no contrato com Banco Master traz à tona a necessidade de maior transparência e controle na concessão de crédito consignado aos beneficiários do INSS. A falta de garantias essenciais como a autenticação segura das assinaturas eletrônicas compromete a segurança jurídica e protege os cidadãos contra fraudes. O episódio reforça o papel do INSS e de órgãos de controle na prevenção de prejuízos a aposentados e pensionistas, garantindo a integridade dos serviços vinculados aos seus benefícios.