Despesa previdenciária pode saltar de 8% para 17,4% do PIB até 2060 sem mudanças no sistema atual

Sete anos após a reforma de 2019, envelhecimento populacional e redução da formalização recolocam sustentabilidade do sistema em foco.
O presidente eleito neste domingo (25) terá como um dos principais desafios da área econômica a discussão sobre uma nova reforma da Previdência Social. Sete anos após as mudanças implementadas em 2019, fatores como envelhecimento populacional, queda na taxa de fecundidade e migração de trabalhadores para ocupações sem carteira assinada recolocaram a sustentabilidade do sistema no centro da pauta governamental.
Segundo estimativa do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), a despesa atual da Previdência já soma 8% do Produto Interno Bruto (PIB), e poderá alcançar 17,4% até 2060 caso o modelo vigente seja mantido sem alterações.
A avaliação sobre o déficit da Previdência varia conforme a metodologia de cálculo utilizada. Fábio Zambitte, diretor do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), explica que ao analisar a Seguridade Social em conceito amplo — integrando receitas de contribuições sociais destinadas à previdência, saúde e assistência social — o resultado é positivo. No entanto, há críticas a esse modelo porque parte relevante dessas contribuições segue para outras destinações que não seriam propriamente sociais.
Zambitte aponta que o volume de gastos do sistema protetor brasileiro já alcança patamares elevados, compatíveis aos de países europeus com populações muito mais idosas, o que torna o modelo atual bastante pressionado diante do rápido envelhecimento da população.
“Ainda que hoje a conta feche no azul, isso vai durar pouco tempo mesmo dentro do modelo atual. O que eu estou dizendo é o seguinte: tem gente que fala que a previdência está à beira do precipício, e outra turma fala que não, que está há 1 km do precipício. Mas, nos dois casos, ainda continua rumando ao precipício, concorda?”, afirma Zambitte.
Além da questão financeira, o diretor do IBDP ressalta que o sistema é deficitário do ponto de vista atuarial, pois as premissas originais de cálculo, como a expectativa de vida, foram superadas pelo rápido envelhecimento populacional. A discussão sobre uma nova reforma deverá considerar esses fatores estruturais para assegurar a continuidade do sistema previdenciário nas próximas décadas.






