Pressa na colheita de milho aumenta risco de aflatoxina

A busca por cumprir prazos de plantio compromete a qualidade do grão e favorece contaminação por fungos

Pressa na colheita de milho aumenta risco de aflatoxina
Colheita acelerada de milho expõe grãos a contaminação por fungos produtores de aflatoxina

Pressão por cumprir calendários agrícolas intensifica colheitas precoces, elevando vulnerabilidade a aflatoxina e comprometendo qualidade final do grão

Aflatoxina em milho: quando a pressa compromete a segurança

A cada safra, produtores de milho enfrentam escolha crítica: colher com rapidez para respeitar calendários agrícolas ou aguardar ponto ideal de umidade, arriscando perder janela climática favorável. Essa pressão, cada vez mais intensa no campo brasileiro, transfere custos para etapas posteriores da produção, impactando qualidade e segurança do grão destinado ao mercado.

O dilema entre produtividade e segurança alimentar

Otavio Matos, gerente operacional da Cycloar RS/SC em pós-colheita e conservação de grãos, identifica crescimento proporcional entre produtividade nacional e problemas associados à colheita prematura. Quando grãos atingem elevada umidade no momento da retirada do campo, ambiente favorável à proliferação fúngica se estabelece nos próximos estágios: secagem, armazenamento e processamento.

Aflatoxina: consequência silenciosa da pressa

Fungos produtores de aflatoxina prosperam em condições de umidade elevada e temperatura moderada. Grãos colhidos antes do ponto ideal permanecem vulneráveis durante semanas críticas no secador. A toxina, praticamente indetectável a olho nu, compromete valor comercial e representa risco sanitário significativo.

Impactos na cadeia produtiva

Problemas iniciados na colheita precipitada desencadeiam custos adicionais. Energia para secagem intensiva eleva despesas operacionais. Perda de qualidade reduz preço final. Em casos extremos, lotes contaminados tornam-se inutilizáveis, gerando prejuízo total. A rastreabilidade fica comprometida quando contaminação ocorre pós-colheita.

Caminho para equilíbrio sustentável

Especialistas recomendam planejamento rigoroso de calendário agrícola, considerando variáveis climáticas e capacidade de infraestrutura de pós-colheita. Investimento em equipamentos adequados de secagem reduz tempo necessário, mantendo qualidade. Monitoramento contínuo de umidade permite decisões informadas sobre momento ideal de colheita, balanceando urgência de cronograma com segurança alimentar e valor econômico da produção.