Deputados e senadores intensificam coleta de assinaturas para investigar o caso do Banco Master

Após recesso, Congresso enfrenta pressão para oficializar CPMI do Banco Master, que investiga fraudes e ligações políticas.
Integrantes da oposição no Congresso Nacional intensificam os esforços para oficializar a CPMI do Banco Master com o retorno do recesso parlamentar em janeiro de 2026. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito visa investigar as alegações de fraudes e possíveis demais irregularidades ligadas à instituição financeira que foi liquidada pelo Banco Central.
CPMI do Banco Master reúne apoio amplo
O requerimento para instalação da CPMI foi protocolado pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), que já contabilizava 257 assinaturas de parlamentares, entre deputados e senadores, abrangendo tanto a oposição quanto integrantes da base aliada do governo Lula (PT). O documento atingiu o número mínimo de apoiadores em 31 de dezembro, com 28 senadores e 177 deputados favoráveis.
A distribuição das assinaturas demonstra a articulação transversal no Congresso, com destaque para partidos como PL, União Brasil, PSD, PP, MDB e Republicanos, tanto na Câmara quanto no Senado. A CPMI terá composição paritária entre deputados e senadores, com 30 membros no total, e duração inicial prevista para 180 dias.
Pressão sobre o presidente do Congresso
Apesar do cumprimento do requisito formal, a instalação da CPMI depende da leitura do requerimento em sessão conjunta pelo presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Regimentalmente, não há prazo definido para essa formalização, o que abre espaço para pressões políticas no retorno das atividades legislativas.
Carlos Jordy afirma que continuará coletando assinaturas e pretende protocolar oficialmente o requerimento no início de fevereiro. A mobilização dos parlamentares também conta com apoios do centro político e de líderes governistas, como o senador Eduardo Braga (MDB-AM).
Caso Banco Master e operação Compliance Zero
O Banco Master foi liquidado após investigações do Banco Central apontarem fraudes. A operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, desdobrou-se em fases que cumpriram dezenas de mandados de busca e apreensão em vários estados, focando em familiares e sócios do empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição.
Documentos apreendidos incluem um contrato de prestação de serviços no valor de R$ 129 milhões entre o Banco Master e um escritório de advocacia ligado à esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, relator de processos relacionados à trama golpista. A repercussão desses fatos impulsionou o debate político e a complexidade das investigações.
CPI na Câmara e repercussões políticas
Além da CPMI, parlamentares governistas na Câmara dos Deputados articulam a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito exclusiva para a Casa, que também já teria as assinaturas necessárias para instalação. Essa iniciativa paralela demonstra a amplitude política do tema e o interesse em aprofundar as apurações.
Próximos passos das investigações
A operação Compliance Zero teve sua segunda fase deflagrada em 14 de janeiro, com mandados cumpridos em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. O ministro do STF Dias Toffoli autorizou a ação e prorrogou o inquérito por mais 60 dias para permitir perícias e análises detalhadas do material apreendido.
Esses desdobramentos indicam que o caso Banco Master seguirá no centro das atenções políticas e jurídicas, com o Congresso Nacional assumindo papel decisivo na fiscalização e investigação por meio da CPMI que pode ser instaurada em breve.

Sede do Banco Master alvo da operação Compliance Zero. Foto: Reprodução/Banco Master
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Reprodução/Banco Master





