Associações buscam garantir contratos de suprimento de energia com gás natural.

Setor de gás pressiona por inclusão na medida provisória que regulamenta data centers no Brasil.
A proposta de medida provisória Redata, que estabelece um regime especial de tributação para data centers, tem gerado um intenso movimento por parte do setor de gás natural no Brasil. Associações e frentes parlamentares estão se articulando para que contratos de suprimento de energia a partir de gás natural sejam incluídos na regulamentação, visando garantir uma fonte de energia estável para esses centros essenciais à economia digital.
Contexto da Medida Provisória
A MP, de número 1318/2025, prevê incentivos fiscais para empresas que atendam à totalidade de sua demanda de energia elétrica por meio de fontes limpas ou renováveis. No entanto, a necessidade de energia constante e confiável para os data centers, que exigem uma disponibilidade entre 99,982% e 99,995% ao ano, levanta a discussão sobre a inclusão do gás natural como uma fonte de suprimento viável. Segundo um manifesto assinado por 19 entidades do setor, o gás é uma alternativa menos poluente em comparação a outras fontes de energia fósseis, como o carvão, e pode garantir a continuidade operacional necessária.
A Necessidade de Energia Estável
Os data centers têm um papel crucial na infraestrutura digital moderna e, para isso, necessitam de fontes de energia que operem sem interrupções. O gás natural, embora seja um combustível fóssil, é considerado uma fonte firme, capaz de fornecer energia contínua, ao contrário das energias renováveis, que podem ser intermitentes devido às condições climáticas. A defesa pelo uso do gás não exclui o uso de fontes renováveis, mas ressalta a importância de garantir um suprimento energético robusto.
Desafios e Propostas
Enquanto algumas emendas ao texto da MP já foram protocoladas na Câmara, as empresas do setor energético pressionam por uma solução que permita a utilização do gás natural. A proposta de inclusão é vista como uma maneira de evitar cortes na geração de energia, conhecidos como curtailments, que ocorrem quando a oferta de energia renovável excede a demanda. Esses cortes prejudicam as empresas de energia e aumentam a necessidade de soluções como o armazenamento em baterias e, agora, o uso de data centers como alternativa para a absorção de energia excedente.
Caminho a Seguir
A urgência em aprovar a medida se intensifica, especialmente com o recesso parlamentar se aproximando e a necessidade de garantir que o Redata não caduca. O governo já havia explorado a possibilidade de incluir incentivos fiscais para data centers em um projeto de lei sobre inteligência artificial, mas a pressão para a aprovação do Redata é crescente. O setor de gás, portanto, se posiciona em um momento crucial, buscando garantir sua participação no futuro da energia no Brasil.
Fonte: www1.folha.uol.com.br





