Procurador-geral do Irã anuncia punição implacável aos manifestantes

Autoridades iranianas reforçam ações judiciais severas contra protestos com alto número de mortos e presos

Procurador-geral do Irã anuncia punição implacável aos manifestantes
Carro virado e incêndios em protestos no Irã diante de delegacia de polícia • Redes sociais

Procurador-geral do Irã afirma que processos contra manifestantes serão rigorosos e sem clemência.

Procurador-geral do Irã anuncia medidas rigorosas contra manifestantes

O procurador-geral do Irã, Mohammad Movahedi Azad, afirmou que a ação contra os manifestantes será implacável e conduzida “sem clemência, misericórdia ou apaziguamento”. Segundo declarações divulgadas pela agência semioficial Tasnim, todas as acusações contra os manifestantes são uniformes, abrangendo desde indivíduos que auxiliam os protestos até aqueles que praticam violência armada. Movahedi Azad classificou todos os envolvidos como inimigos, indicando uma postura de rígida repressão.

Contexto dos protestos e a resposta judicial do regime

Os protestos no Irã, que se intensificaram nas últimas semanas, geraram pelo menos 65 mortes e mais de 2.300 prisões, conforme relatório da agência HRANA, sediada nos Estados Unidos. Inicialmente motivadas pelo aumento da inflação, as manifestações rapidamente assumiram um caráter político, com demandas pelo fim do regime islâmico vigente. Em resposta, o procurador-geral declarou que atos de vandalismo contra propriedades públicas serão enquadrados como “moharebeh”, termo que significa “guerra contra Deus” e que prevê a pena de morte, reforçando a severidade das punições previstas.

Papel da Guarda Revolucionária e a linha vermelha na segurança nacional

A Guarda Revolucionária do Irã emitiu um alerta classificando a proteção da segurança nacional como uma “linha vermelha” irrevogável. Os militares enfatizaram o compromisso de proteger a propriedade pública enquanto enfrentam os protestos, que são os maiores dos últimos anos no país. Essa posição demonstra a tentativa do regime de manter o controle diante do aumento da mobilização social e das tensões internas que ameaçam a estabilidade do governo.

Acusações externas e reações internacionais

O governo iraniano atribui a interferência dos Estados Unidos e de Israel a fomentação dos protestos e distúrbios, ampliando o conflito para o âmbito geopolítico. Em contrapartida, autoridades americanas, incluindo o presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio, manifestaram apoio ao “bravo povo do Irã”. Esse embate diplomático intensifica a complexidade da crise, que combina questões internas com tensões internacionais.

Impactos sociais e registro dos protestos

Durante a noite, os protestos continuaram, com relatos da mídia estatal sobre incêndios em prédios municipais, como o registrado em Karaj, próximo a Teerã. Imagens transmitidas mostraram funerais de membros das forças de segurança mortos durante os confrontos em diversas cidades, evidenciando o custo humano da repressão. Os manifestantes continuam exigindo mudanças profundas no regime, enquanto as autoridades mantêm uma postura firme e repressiva.

A situação no Irã permanece volátil, com a combinação de manifestações populares, punições severas e tensões diplomáticas configurando um cenário de crise que poderá ter desdobramentos relevantes tanto internamente quanto no cenário internacional.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br