Estudo Planeta em Degelo mostra impacto do derretimento das geleiras e seus efeitos para cidades costeiras e clima global

Programa Antártico Brasileiro alerta para degelo acelerado nas calotas polares e seus impactos em cidades costeiras e no clima global.
Programa Antártico Brasileiro alerta para degelo acelerado nas calotas polares
O estudo Planeta em Degelo, baseado em dados inéditos do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), evidencia um degelo acelerado nas calotas polares desde 1976. Com a perda acumulada de 9.179 gigatoneladas de gelo, especialmente na Antártida e Groenlândia, o impacto atinge diretamente as cidades costeiras e o clima global. O biólogo Ronaldo Christofoletti, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), destaca que extremos climáticos recentes, como chuvas e calor intenso, são sintomas interligados do aquecimento global, reforçando a necessidade de compreensão social sobre essas mudanças.
Dados e impactos do degelo nas calotas polares desde 1976
Desde 1976, o derretimento das geleiras soma cerca de 9 mil quilômetros cúbicos de água, equivalente ao volume despejado pelo Rio Amazonas em 470 dias. A maior parte desse derretimento ocorreu nas regiões da Antártida e Groenlândia, onde 8 mil gigatoneladas foram perdidas desde 2002, indicando um ritmo acelerado. O derretimento transforma gelo em água que contribui para a elevação do nível do mar, implicando perda de área terrestre e erosão costeira. Além disso, a água doce dilui a salinidade dos oceanos, enfraquecendo correntes marítimas que regulam o clima mundial.
Consequências do degelo acelerado para o clima e oceanos
O degelo acelerado nas calotas polares altera a circulação oceânica, especialmente na região do Atlântico Sul, afetando padrões de chuva, frentes frias e eventos climáticos extremos no Brasil. A diluição da salinidade enfraquece correntes que transportam água fria da Antártida para áreas tropicais, prejudicando a regulação térmica planetária. Essas mudanças podem provocar impactos significativos na dinâmica climática, evidenciando a importância de monitoramento contínuo e ações de adaptação.
Educação ambiental e políticas públicas para enfrentar o aquecimento global
Ronaldo Christofoletti destaca a relevância da educação para promover a cultura oceânica, conceito que vai além do oceano e busca conscientizar a população sobre a interdependência do planeta. O Currículo Azul, iniciativa federal, integra o ensino sobre o oceano nas escolas, fomentando entendimento e mudança comportamental. Além disso, o cumprimento dos acordos da COP30 em Belém é crucial para avançar na transição energética e reduzir emissões de gases de efeito estufa, elementos essenciais para mitigar os efeitos do aquecimento global.
Adaptação das cidades costeiras diante do aumento do nível do mar
Enquanto medidas globais são implementadas, é necessário adaptar as cidades costeiras para enfrentar os impactos já observados do degelo acelerado. Isso inclui o cuidado com a orla, controle da erosão e planejamento urbano para minimizar perdas territoriais. O estudo do ComAntar aponta que a frequência de desastres relacionados a frentes frias e ciclones na costa aumentou 19 vezes nas últimas três décadas, exigindo respostas eficazes e imediatas para proteger populações vulneráveis.
O Proantar, organizado pela Marinha do Brasil em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o Ministério de Relações Exteriores, mantém 44 anos de pesquisas contínuas, consolidando dados fundamentais para compreender e enfrentar os desafios climáticos globais derivados do degelo nas regiões polares.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br





