Pesquisa revela que restrição de alimentos ultraprocessados nas escolas pode promover hábitos mais saudáveis entre jovens

Estudo aponta que proibição de ultraprocessados nas escolas pode reduzir obesidade juvenil em 13%.
Proibição de ultraprocessados em escolas pode ter impacto significativo na saúde juvenil
A proibição da venda de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas nas cantinas de escolas públicas e privadas pode reduzir a prevalência de obesidade entre estudantes de 10 a 19 anos em até 13%, segundo um estudo do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) divulgado recentemente. Este estudo simula um cenário em que a comercialização desses produtos é totalmente restrita nas instituições de ensino.
Efeitos da restrição de ultraprocessados
De acordo com a pesquisa, a restrição levaria a uma redução de aproximadamente 25% no consumo de bebidas adoçadas, como refrigerantes e sucos artificiais, além de 8% na ingestão de ultraprocessados, como guloseimas e salgadinhos. Em contrapartida, haveria um aumento no consumo de água, sucos naturais e frutas, variando entre 2% e 8%. O estudo foi fundamentado em dados da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) do IBGE, realizada entre 2017 e 2018.
Benefícios da substituição de alimentos
Se os ultraprocessados fossem trocados por alimentos in natura ou minimamente processados, a pesquisa estima uma redução de até 20 calorias e 6 gramas de açúcares livres por dia, sem comprometer a ingestão de vitaminas e minerais. Para calcular essas estimativas, os pesquisadores se basearam em dados de estudos anteriores, como o estudo Rosettie (2018), que observou políticas de restrição nas escolas dos Estados Unidos.
Importância de uma regulamentação nacional
Apesar de já existir o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), que permite uma presença limitada de ultraprocessados nas cantinas, a necessidade de uma legislação nacional é defendida por especialistas. O presidente Lula sancionou uma medida que reduziu o limite de alimentos ultraprocessados permitidos pelo PNAE de 20% para 15%. O coordenador do estudo, Eduardo Nilson, ressalta que a proibição nas escolas é um passo importante dentro de uma estratégia mais ampla de prevenção da obesidade infantojuvenil.
Prevalência da obesidade no Brasil
Projeções indicam que o Brasil poderá ter até 20 milhões de crianças e adolescentes obesos em dez anos, um aumento alarmante em relação aos 15,58 milhões registrados em 2019. O estudo do Idec reforça a urgência de políticas públicas efetivas para combater a obesidade juvenil, considerando que o consumo excessivo de ultraprocessados está associado a doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.
Propostas legislativas em andamento
Atualmente, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 4501/2020, que visa garantir que as cantinas escolares ofereçam pelo menos três opções de lanches saudáveis e proíbe a venda de alimentos ultraprocessados e frituras. A especialista Ana Maria Maya, do Idec, enfatiza que a restrição do acesso a esses produtos nas escolas pode transformar o ambiente escolar em um espaço que promove saúde e educação alimentar, com benefícios que podem perdurar ao longo da vida dos estudantes.
Conclusão
A proibição de ultraprocessados nas escolas, conforme evidenciado por este estudo, não só poderia reduzir a obesidade juvenil, mas também fomentar hábitos alimentares saudáveis. A implementação de políticas que regulamentem a alimentação nas escolas é essencial para a melhoria da saúde pública e a prevenção de doenças crônicas entre as gerações futuras.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Eduardo Knapp/Folhapress





