Projeto aprova tornozeleira eletrônica obrigatória para agressores de mulher

Câmara dos Deputados avança na proteção das vítimas com monitoramento imediato dos agressores

Projeto aprova tornozeleira eletrônica obrigatória para agressores de mulher
Sessão da Câmara dos Deputados durante aprovação do projeto sobre tornozeleira eletrônica. Foto: Agência Brasil

A Câmara aprovou o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica para agressores de mulheres em situação de risco, visando reforçar a proteção das vítimas.

Aprovação da tornozeleira eletrônica obrigatória pela Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou, em 10 de março de 2026, o projeto de lei que institui o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica para agressores de mulheres em situação de violência doméstica e familiar, quando estiver comprovado alto risco à vida ou integridade das vítimas. A iniciativa, de autoria dos deputados Fernanda Melchionna (PSol-RS) e Marcos Tavares (PDT-RJ), busca ampliar as medidas de proteção já previstas e reduzir a reincidência de agressões.

Detalhes do projeto e impactos na proteção às vítimas

O projeto de lei (PL nº 2942/2024) determina que a Justiça poderá impor, de forma imediata, o monitoramento eletrônico do agressor, especialmente em casos em que haja risco atual ou iminente à integridade física, psicológica da mulher ou de seus dependentes. A deputada Fernanda Melchionna destacou que apenas 6% das medidas protetivas contam hoje com monitoramento eletrônico, o que evidencia a necessidade de ampliação dessa ferramenta que reduz feminicídios e reincidência.

Além disso, em locais sem comarca, a medida poderá ser determinada pelo delegado de polícia, ampliando o alcance da proteção. A entrega de um dispositivo portátil de rastreamento para a vítima, que emitirá alertas automáticos em caso de aproximação do agressor, é outro avanço relevante para garantir segurança ativa e imediata.

Penalidades reforçadas e destinação de recursos

O projeto ainda prevê aumento da pena para descumprimento das medidas protetivas relacionadas à violação das áreas proibidas ao agressor ou manipulação da tornozeleira eletrônica. A pena pode passar de um terço para metade da reclusão, variando de 2 a 5 anos.

Também foi ampliada a cota dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública destinados ao enfrentamento da violência contra a mulher, com prioridade para a compra e manutenção das tornozeleiras e dispositivos de monitoramento para as vítimas. Campanhas de combate à violência deverão informar sobre os procedimentos policiais e o funcionamento das medidas protetivas.

Contexto do aumento dos casos de feminicídio no Brasil

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que em 2025 ocorreram 1.568 feminicídios, aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Muitas vítimas já tinham medidas protetivas vigentes, mas sem monitoramento eletrônico eficaz. A maior incidência em municípios menores, com infraestrutura policial e de acolhimento limitada, reforça a importância da ampliação das medidas previstas pelo projeto.

Próximas etapas para a aprovação definitiva

Com a aprovação na Câmara, o projeto será enviado ao Senado para análise, discussão e votação. Caso seja aprovado sem alterações, seguirá para sanção presidencial. Em caso de modificações, retornará à Câmara para validação. Se rejeitado, será arquivado.

Essa legislação representa um avanço significativo na resposta do sistema jurídico e policial diante da violência contra a mulher, buscando maior efetividade nas medidas protetivas e prevenção de novos crimes.

Serviços de apoio e denúncia

Em situações de violência contra a mulher, o telefone 180 oferece atendimento gratuito, sigiloso e 24 horas para orientação, acolhimento e encaminhamento das vítimas. Em emergências, deve ser acionada a Polícia Militar pelo telefone 190.