Projeto de IA em escolas do Piauí enfrenta desafios na internet

Iniciativa pioneira premiada pela Unesco tem avanços em conectividade, mas limitações persistem no uso diário da tecnologia

O projeto de IA nas escolas do Piauí, premiado pela Unesco, avança no acesso à internet, mas ainda enfrenta limitações que impactam o ensino prático da disciplina.

O projeto de IA em escolas do Piauí, premiado pela Unesco, tornou obrigatório o ensino de inteligência artificial para alunos do 9º ano e do ensino médio desde 2024. Apesar do pioneirismo da iniciativa, que já alcança 517 das 640 escolas estaduais e mais de 120 mil estudantes, ainda existem limitações relevantes no acesso e uso da internet para fins pedagógicos.

Contexto do projeto no Piauí

Lançado em 2024, o programa tem como objetivo preparar os estudantes para o futuro tecnológico, incorporando conceitos de IA, lógica e ética ao currículo. Contudo, dados do Censo Escolar de 2024 apontavam que mais da metade das escolas estaduais não dispunham de internet para uso dos alunos, e um terço delas não oferecia conexão para atividades pedagógicas. Além disso, 51,2% das instituições não possuíam laboratórios de informática, fundamentais para alfabetização digital.

Avanços na conectividade e estrutura

A Secretaria de Educação do Piauí informa que houve ampliação do acesso à tecnologia, com 93% das escolas de tempo integral agora equipadas com laboratórios em funcionamento. Também ressalta liderança em conectividade entre os estados, com 92% das escolas atendendo aos critérios mínimos de wi-fi definidos pelo MEC. Porém, o indicador utilizado não detalha a disponibilidade do acesso para os alunos, o que pode explicar o descompasso entre os dados oficiais e as experiências relatadas por docentes.

Desafios enfrentados na prática

Rafael Ribeiro, professor de IA do Ceti Zacarias de Góis, relata dificuldades frequentes com a conexão de internet e a disputa por horários nos laboratórios, que atendem cerca de 20 turmas. Para contornar a limitação no acesso, ele utiliza atividades offline e recursos como smartphones dos alunos, liberados exclusivamente para o uso educacional. Mesmo assim, falhas no wi-fi prejudicam o desenvolvimento de conteúdos que dependem de simulações e testes em aprendizado de máquina.

Diferenças regionais e impacto no ensino

Em Teresina, a maioria das escolas apresenta níveis adequados de conexão e cobertura, enquanto no interior do estado a infraestrutura é mais precária. No interior, 52,1% dos alunos estão em escolas sem laboratório de informática e 30,3% sem acesso à internet para aprendizagem, contra 34,3% e 23,4% respectivamente na capital. Essa disparidade evidencia a necessidade de investimentos contínuos para garantir a equidade no acesso às ferramentas digitais.

Perspectivas e importância do projeto

Especialistas como Rogério de Almeida, da USP, destacam que o projeto do Piauí é fundamental para reduzir o abismo entre escolas públicas e privadas no acesso à tecnologia. O currículo crítico adotado prevê o ensino da IA de forma reflexiva, e as dificuldades de infraestrutura não devem ser impedimento para a continuidade da disciplina. A expectativa é que a demanda pelo uso da tecnologia fomente mais investimentos e melhorias na conectividade das escolas.

Monitoramento e investimentos futuros

O governo estadual tem acompanhado a qualidade dos serviços de internet, acionando provedores quando a velocidade está abaixo dos níveis contratados. Entre 2024 e 2025, escolas que antes não tinham conexão passaram a ser atendidas, ainda que algumas permaneçam com wi-fi insuficiente. O desafio permanece no interior e em unidades com maior número de alunos, onde a velocidade por estudante ainda é inadequada.

O projeto de IA em escolas do Piauí, apesar dos desafios, representa um avanço importante na inclusão digital e na formação tecnológica dos jovens, com potencial para inspirar políticas semelhantes em outras regiões do país.