Projeto Tamar enfrenta desafio para preservar filhotes de tartaruga marinha

Apenas um em cada mil filhotes sobrevive e ações em Costa do Sauípe garantem proteção e convívio sustentável

Projeto Tamar enfrenta desafio para preservar filhotes de tartaruga marinha
Hotel Mar Premium na Costa do Sauípe adaptado para conservar tartarugas marinhas. Foto: Resort Mar Premium da rede Costa do Sauípe • Divulgação

Fundação Projeto Tamar luta há décadas para garantir que filhotes de tartaruga marinha tenham chance de vida adulta no litoral da Bahia.

Confira a programação de desovas e preservação no litoral da Bahia

O litoral norte da Bahia concentra 60% das desovas de tartarugas marinhas no Brasil, com o período de maior atividade entre setembro e março, ocorrendo principalmente durante as noites. Essa fase é crucial para a continuidade da espécie, e locais como Costa do Sauípe se destacam por receber milhares de desovas.

Costa do Sauípe: Local de desova com mais de 2 km de extensão, onde cerca de dez mil desovas foram registradas.
Período de desova: Setembro a março, à noite.

  • Espécies presentes: Tartaruga-cabeçuda, tartaruga-de-pente, tartaruga-verde, tartaruga-oliva e tartaruga-de-couro.

Desafio da sobrevivência dos filhotes de tartaruga marinha

A luta para garantir a sobrevivência dos filhotes de tartaruga marinha é intensa, pois a cada mil nascidos, apenas um chega à vida adulta. O biólogo Afonso Brito, da Fundação Projeto Tamar, destaca que o processo biológico da espécie envolve uma longa jornada até a maturidade, que ocorre por volta dos 25 anos, quando as fêmeas retornam ao local de nascimento para desovar.

Os machos, ao contrário, permanecem no mar após o nascimento. A dificuldade da sobrevivência está ligada a diversos fatores naturais e humanos, incluindo predadores e impactos ambientais. A ciência ainda investiga os mecanismos que permitem às tartarugas reconhecerem sua praia natal anos depois.

Parceria entre Projeto Tamar e rede Aviva em Costa do Sauípe

Há mais de 26 anos, o Projeto Tamar mantém uma parceria com a rede Aviva, responsável pelo complexo de resorts na Costa do Sauípe. Essa colaboração tem como objetivo conciliar desenvolvimento turístico e preservação ambiental.

Neide Tavares, gerente de experiência de sustentabilidade da Aviva, enfatiza que a proteção da fauna e flora é um valor central para a rede. Ao longo do tempo, foram protegidos cerca de 500 mil filhotes, e as ações incluem a adaptação das estruturas hoteleiras para minimizar impactos, como a redução de luzes e ruídos durante o período de desova.

Infraestrutura adaptada para minimizar impactos ambientais

O hotel Mar Premium, dentro do complexo Costa do Sauípe, passou por reformas planejadas em conjunto com biólogos do Projeto Tamar para garantir menor impacto nas áreas de desova e ninhos. Medidas como o fechamento das piscinas e o desligamento do som ambiente às 18h reforçam o compromisso com o ciclo natural das tartarugas.

Os hóspedes são informados das normas ambientais, tornando o respeito às regras parte da experiência turística. Essas ações visam criar um ambiente de convivência harmoniosa entre a atividade humana e a preservação das tartarugas marinhas.

Educação ambiental e envolvimento da comunidade local

O Projeto Tamar também atua na educação ambiental, especialmente com crianças e adolescentes da Praia do Forte, região próxima à Costa do Sauípe. Daniel Santos, educador ambiental e ex-participante do programa “Tamarzinho”, representa a continuidade desse trabalho de formação e sensibilização.

A iniciativa procura ampliar o conhecimento sobre a importância das tartarugas marinhas e incentivar novas gerações a se engajarem na conservação. As caminhadas educativas na orla da praia, que já impactaram cerca de 12 mil pessoas no último ano, reforçam esse compromisso.

Rota oceânica das tartarugas e tecnologia no monitoramento

Além das ações locais, o Projeto Tamar utiliza tecnologia para acompanhar a movimentação das tartarugas. Por exemplo, uma tartaruga-marinha pode percorrer a rota de Sergipe até a costa africana em aproximadamente 110 dias, conforme registros de monitoramento em tempo real.

Esses dados auxiliam na compreensão dos hábitos da espécie e ajudam a desenvolver estratégias de proteção mais eficazes, ampliando o alcance da preservação para além do litoral brasileiro.

A sobrevivência dos filhotes de tartaruga marinha é uma missão de longo prazo que depende da colaboração entre ciência, turismo sustentável e conscientização social. Iniciativas como as desenvolvidas em Costa do Sauípe e pelo Projeto Tamar demonstram que é possível equilibrar desenvolvimento econômico e conservação ambiental para proteger essas espécies que são essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas marinhos.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Resort Mar Premium da rede Costa do Sauípe • Divulgação