Proposta para diesel deve respeitar política de preços da Petrobras, afirma economista

Zeina Latif alerta que intervenção nos preços do diesel pode gerar distorções no mercado e riscos de desabastecimento

Proposta para diesel deve respeitar política de preços da Petrobras, afirma economista
Vista de posto de combustíveis com painel de preços do diesel. Foto: Logo CNN Brasil

Zeina Latif destaca que proposta sobre diesel não deve incluir preços da Petrobras para evitar distorções e risco de desabastecimento.

Análise da proposta sobre diesel e os preços da Petrobras

A proposta sobre diesel apresentada recentemente tem gerado debates sobre a política de preços praticada pela Petrobras. A economista Zeina Latif, sócia-diretora da Gibraltar Consulting, ressalta que qualquer medida para estabilizar o preço do diesel deve respeitar a política de preços da estatal para evitar distorções no mercado. Segundo Latif, essa consideração é fundamental para que a “proposta sobre diesel” não comprometa a dinâmica econômica do setor energético.

Impactos da intervenção nos preços do diesel para o mercado brasileiro

Zeina Latif destaca que, embora seja legítimo que governantes busquem suavizar a trajetória dos preços dos combustíveis, como ocorre no Brasil e em outros países com descontos tributários, essa estratégia não pode ser utilizada como justificativa para conter o ajuste dos preços da Petrobras. Manter preços artificialmente baixos pode desestimular importadores, uma vez que o diesel brasileiro perderia competitividade frente ao preço internacional, levando a riscos de desabastecimento em diversas regiões.

Dependência da importação de diesel e riscos potenciais

O Brasil depende da importação de 20% a 30% do diesel consumido internamente. Latif alerta que, se a Petrobras mantiver preços inferiores aos praticados no mercado internacional, os importadores não terão interesse em trazer o produto, pois enfrentariam custos elevados e baixa competitividade. Essa situação pode resultar em falhas no abastecimento e impactos negativos para a economia e população.

Consequências de longo prazo para o setor energético e investimentos

A economista enfatiza que soluções de curto prazo, como interferir na política de preços da Petrobras, podem comprometer as decisões de investimento no país e afetar a sustentabilidade do setor energético. Ela cita um estudo que indica que o orçamento do governo previa um preço do barril de petróleo em US$ 65, enquanto o valor atual está em torno de US$ 100, o que gera um ganho de arrecadação que pode ser utilizado para compensações sem interferir nos preços da Petrobras.

Recomendações para o governo e gestão da política de preços

Zeina Latif sugere que o governo utilize os recursos extras provenientes da alta do petróleo para compensar os consumidores, mas que essa medida não seja usada para justificar a contenção dos preços praticados pela Petrobras. Ela defende que o preço do diesel na estatal flutue de forma que não gere sinais equivocados ao mercado, permitindo a competitividade e o equilíbrio do setor.

A discussão em torno da proposta sobre diesel mostra a complexidade de equilibrar interesses econômicos, sociais e estratégicos no setor energético brasileiro. A análise da economista Zeina Latif reforça a necessidade de políticas que considerem os impactos de curto e longo prazo, preservando a solvência do mercado e a segurança no abastecimento nacional.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Logo CNN Brasil