Propostas para combater máfias no Brasil são ignoradas em nova lei

Autores de livro criticam falta de distinção entre facções criminosas em legislação proposta.

Propostas para combater máfias no Brasil são ignoradas em nova lei
Divulgação

Autores de 'O Brasil Livre das Máfias' criticam a Lei Antifacção por não distinguir entre PCC e grupos locais.

O debate em torno da legislação brasileira para combater o crime organizado se intensifica com a crítica de especialistas à nova proposta de lei, a Lei Antifacção. Os autores do livro “O Brasil Livre das Máfias”, Walfrido Warde e Lincoln Gakiya, argumentam que a falta de distinção entre as diversas facções criminosas, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e grupos locais, pode resultar em graves distorções na aplicação da lei.

Contexto atual do crime organizado no Brasil

O Brasil enfrenta um cenário complexo de criminalidade organizada, onde mais de 88 facções foram mapeadas. O promotor Lincoln Gakiya, reconhecido por sua atuação em investigações de grande impacto, aponta que a Lei das Organizações Criminosas (12.850/2013) não é suficiente para lidar com a gravidade do fenômeno atual. Para ele, as facções, especialmente o PCC e o Comando Vermelho, atuam de forma transnacional e com características de máfia, com infiltração em setores formais da economia e na política.

Críticas à nova Lei Antifacção

O projeto de lei Antifacção, atualmente em discussão no Senado, foi alterado significativamente em relação à sua proposta inicial, deixando de lado a tipificação de organizações de natureza mafiosa e a criação de uma agência antimáfia. Entre as falhas apontadas pelos autores está a ausência de critérios claros para distinguir entre facções de diferentes níveis de sofisticação. Isso, segundo Gakiya, pode levar à aplicação de penas equivalentes a grupos locais e organizações altamente estruturadas como o PCC, o que seria injusto e contraproducente.

Consequências da falta de distinção:

  • Penas desiguais para integrantes de facções locais e do PCC.
  • Pressão sobre um sistema prisional já sobrecarregado.
  • Possibilidade de distorções legais graves.

Propostas de reforma e criação de uma agência antimáfia

Os autores defendem a criação de um tipo penal específico para organizações criminosas do tipo mafioso, que incluiria a tipificação de máfias e mecanismos para a expropriação financeira de bens relacionados a essas organizações. Além disso, a sugestão de uma agência nacional antimáfia, que poderia articular os esforços de diversas instituições, foi considerada uma solução viável para a falta de integração no combate ao crime organizado.

Propostas centrais do livro:

  • Tipificação de organizações mafiosas.
  • Criação de uma agência nacional antimáfia.
  • Aumento das penas para crimes relacionados a máfias.

Gakiya argumenta que o financiamento da agência poderia vir dos bens apreendidos, o que reforçaria a ideia de que os recursos utilizados no combate ao crime poderiam ser oriundos das próprias organizações criminosas.

Conclusão

A discussão sobre a Lei Antifacção e suas implicações para o combate ao crime organizado no Brasil é crucial. O reconhecimento das diferenças entre facções criminosas pode ser um passo vital para a criação de um sistema penal mais justo e eficaz. O livro “O Brasil Livre das Máfias” traz à tona a necessidade urgente de uma abordagem mais robusta e diferenciada para enfrentar as complexidades do crime organizado no país.

Fonte: www1.folha.uol.com.br