A nova regulamentação pode mudar o cenário das importações agrícolas.

A proteção aos agricultores europeus abre caminho para a aprovação do acordo Mercosul-UE, mas traz desafios e preocupações.
O cenário do comércio internacional entre o Mercosul e a União Europeia (UE) pode estar prestes a passar por uma transformação significativa. Recentemente, o Parlamento Europeu aprovou uma nova proteção para seus agricultores, o que, segundo especialistas, abre caminho para a assinatura do tão aguardado acordo entre os blocos, programada para ocorrer na Cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, Paraná.
O impacto das novas proteções
A nova regulamentação aprovada se destina a mitigar as preocupações de que produtos do Mercosul possam invadir o mercado europeu, prejudicando os agricultores locais. Essa preocupação é central para aqueles que se opõem ao tratado na Europa, onde a competição com produtos importados é vista como uma ameaça à indústria agrícola local. De acordo com técnicos da diplomacia brasileira, essa proteção deve facilitar a aprovação final do acordo no Conselho Europeu, cuja votação está prevista para os próximos dias.
Entretanto, a viabilização política do acordo não significa que todos os impasses foram resolvidos. As salvaguardas aprovadas podem limitar significativamente os benefícios que o Mercosul esperava obter com o tratado, algo que já foi descrito como “preocupante” pelo Itamaraty. A embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Ministério de Relações Exteriores, apontou que, embora o acordo atual não inclua essas medidas, as novas regulamentações têm o potencial de restringir o acesso ao mercado europeu.
Detalhes das salvaguardas
O projeto de regulamento estabelece que a UE poderá suspender temporariamente as preferências tarifárias para determinados produtos agrícolas considerados sensíveis, como carne bovina e aves, caso essas importações sejam vistas como prejudiciais aos agricultores europeus. A proposta original previa um aumento de 10% nas importações para acionar uma investigação; agora, esse limite foi reduzido para 5% ao longo de três anos.
Outra mudança significativa é a aceleração dos prazos para investigações, que agora variam de seis meses para três meses em questões gerais, e de quatro meses para dois meses no caso de produtos sensíveis. Essas medidas visam garantir que as salvaguardas possam ser implementadas de forma mais ágil, caso surjam evidências de que os produtos importados não atendem aos padrões ambientais, de bem-estar animal ou de saúde exigidos pela UE.
Gabriel Mato, relator permanente do Parlamento para o Mercosul, expressou que as novas salvaguardas melhoram substancialmente o funcionamento do regulamento, oferecendo maior proteção aos agricultores europeus e assegurando um quadro de implementação mais confiável. A votação na UE foi expressiva, com 431 votos a favor, 161 contra e 70 abstenções, demonstrando um consenso significativo em torno das novas medidas de proteção.
Desafios à frente
As negociações entre o Parlamento Europeu e o Conselho sobre a forma final da legislação estão programadas para ocorrer em breve, o que pode impactar diretamente a balança comercial entre o Mercosul e a UE. A dinâmica de proteção ao agro europeu pode complicar os interesses dos produtores do Mercosul, que esperam um acesso mais amplo ao mercado europeu.
Diante desse cenário, o futuro do acordo Mercosul-UE permanece incerto, e a tensão entre proteção local e abertura comercial é um tema que precisa ser cuidadosamente equilibrado nas discussões que estão por vir.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Agência Brasil





