Manifestantes indígenas e grupos sociais reivindicam fim do plano federal de hidrovias na região do Tapajós, no Pará

Indígenas protestam em São Paulo contra dragagem de rios na Amazônia e planos do governo para hidrovias no Tapajós.
Protesto contra dragagem de rios na Amazônia mobiliza São Paulo e Pará
O protesto contra dragagem de rios na Amazônia ganhou força na noite de sexta-feira (20) com uma manifestação em frente ao escritório da Cargill, localizado na zona sul de São Paulo. A mobilização apoia os povos indígenas e comunidades tradicionais da região do Tapajós, no Pará, contra o plano federal de implantação de hidrovias para escoamento de produtos na Amazônia. Txai Suruí, ativista e colunista, destacou a importância do ato como forma de solidariedade com os ocupantes da sede da empresa em Santarém, que protestam desde 22 de janeiro.
Histórico da ocupação e resistência indígena no Pará
Desde o final de janeiro, 14 povos indígenas do oeste do Pará ocupam a sede da Cargill em Santarém, contestando o decreto nº 12.600/2025, que inseriu trechos hidroviários nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização (PND). A decisão tem gerado forte resistência dos povos locais, que temem a destruição ambiental e social causada pela dragagem e privatização dessas vias navegáveis. A Justiça Federal ordenou a desocupação forçada das vias de acesso ao complexo portuário da Cargill, mas o Ministério Público Federal (MPF) vem apresentando recursos para garantir o direito à manifestação e a segurança dos indígenas.
Impactos ambientais e sociais do projeto de hidrovias na Amazônia
O projeto de hidrovias na região do Tapajós é visto pelos manifestantes como uma ameaça direta aos ecossistemas e às comunidades tradicionais. A dragagem dos rios pode provocar alteração dos cursos d’água, destruição de habitats e poluição, comprometendo a subsistência de indígenas, ribeirinhos e quilombolas. O uso desses rios para transporte de commodities agrícolas intensifica o impacto ambiental e a pressão sobre a floresta amazônica. A pauta dos protestos enfatiza o vínculo cultural e a dependência econômica dessas populações em relação ao meio ambiente.
Reações do governo federal e perspectivas legais
O governo federal, por sua vez, afirma que o decreto em questão não autoriza obras ou privatização imediata da hidrovia do Tapajós, e que o normativo visa apenas a realização de estudos técnicos sobre possíveis concessões de serviços de navegabilidade. Além disso, o Executivo garante o cumprimento da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que prevê consulta livre, prévia e informada às comunidades afetadas. No entanto, até o momento, indígenas afirmam que essa consulta ainda não ocorreu. A suspensão da licitação para dragagem do rio Tapajós foi anunciada em 6 de fevereiro, mas para os manifestantes essa medida é insuficiente.
Ações recentes e estratégias dos manifestantes indígenas
Na quinta-feira anterior ao protesto em São Paulo, aproximadamente 400 indígenas realizaram uma ocupação temporária em balsas transportando produtos agrícolas no rio Tapajós, acusando a Cargill de envolvimento, o que foi negado pela empresa. Os indígenas também bloquearam vias de acesso em Santarém, incluindo a rota para o aeroporto, como forma de pressão. A contraproposta apresentada pelo Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita) inclui a revogação do decreto e a publicação oficial dos atos no Diário Oficial. Apesar das negociações com representantes do governo, ainda não houve avanço que atenda às reivindicações dos povos tradicionais.





