Manifestantes enfrentam repressão severa em meio a crise econômica e pedidos por mudanças políticas
Protestos no Irã já resultaram em mais de 600 mortes em meio a tensões políticas e crise econômica.
Número de mortos e presos nos protestos no Irã ultrapassa 600
Os protestos no Irã, que começaram em 28 de dezembro de 2025, já contabilizam 646 mortos, segundo informações da agência Hrana (Human Rights Activists News Agency). Entre as vítimas, estão 505 manifestantes, incluindo nove menores de 18 anos, 133 militares e integrantes das forças de segurança, além de civis e um promotor. O total de pessoas presas alcançou 10.721. A repressão às manifestações tem sido severa, com o uso de armas de fogo e gás lacrimogêneo, além do corte do acesso à internet desde 9 de janeiro.
Contexto econômico e político dos protestos no Irã desde dezembro de 2025
Os protestos no Irã tiveram início motivados pela grave situação econômica do país, marcada por uma desvalorização acentuada da moeda nacional e inflação que chegou a 42,2% em dezembro de 2025. Comerciantes e trabalhadores saíram às ruas exigindo alívio para o aumento dos preços dos bens essenciais. Progressivamente, os protestos ampliaram suas pautas, passando a incluir demandas por reformas políticas, maior liberdade e críticas ao governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo desde 1989, que comanda uma teocracia islâmica xiita com poder absoluto e restrições severas à população, especialmente às mulheres.
Reação das autoridades iranianas e acusações internacionais
O governo iraniano atribui a violência durante os protestos a “criminosos terroristas urbanos”, conforme declarou o presidente do Parlamento, Masoud Pezeshkian, que convocou uma “marcha de resistência nacional” em apoio ao regime, realizada em 12 de janeiro em Teerã, com milhares de participantes carregando bandeiras do país e retratos do aiatolá Khamenei. Por sua vez, o chanceler Abbas Araqchi culpou o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas tensões, afirmando que as declarações americanas incentivaram “terroristas”. Trump, por outro lado, declarou que os EUA estão prontos para ajudar os iranianos e sugeriu negociações. Autoridades iranianas advertiram para possíveis ataques a bases militares americanas e a Israel caso haja agressão.
Impactos sociais e divisão da oposição na atual conjuntura iraniana
A repressão aos protestos intensificou a fragmentação da oposição iraniana, que está dividida entre monarquistas exilados, a Organização dos Mujahideen do Povo (MEK), minorias étnicas e movimentos de protesto sem liderança unificada. O regime, baseado na Sharia (lei islâmica), mantém rígido controle social e político, com severas limitações à liberdade, especialmente das mulheres, que são obrigadas a usar hijab a partir dos nove anos e precisam de autorização marital para viagens internacionais. As manifestações refletem uma insatisfação generalizada que ultrapassa a esfera econômica, envolvendo também demandas por reformas estruturais no sistema judiciário e político.
Dinâmica regional e possíveis desdobramentos futuros
A escalada dos protestos no Irã ocorre em um contexto regional tenso, com acusações mútuas entre Teerã e Washington e a possibilidade de negociações ou ações militares. As manifestações e a repressão têm potencial para influenciar a estabilidade da região. A resposta do governo iraniano, que inclui mobilizar apoio popular e endurecer medidas de controle, aponta para um cenário de confrontos prolongados. A comunidade internacional acompanha com preocupação os desdobramentos desses protestos, que já somam centenas de mortos e milhares de detidos.





