Renato Thiebaut, alvo da Operação Articulata, recebe salário do partido desde 2023
PSB emprega Renato Thiebaut, ex-secretário de Pernambuco acusado de corrupção passiva em esquema envolvendo licitações durante a pandemia.
O PSB mantém desde 2023 Renato Thiebaut, ex-secretário de Projetos Estratégicos do governo de Pernambuco, em seu quadro funcional, mesmo diante das acusações de corrupção passiva que pesam contra ele.
Acusações e investigação
Renato Thiebaut foi alvo da Operação Articulata, desdobramento de investigações iniciadas em junho de 2020. Essas apurações focam em um esquema milionário de direcionamento de licitações relacionadas à compra emergencial de materiais médicos durante a pandemia da covid-19. A Procuradoria da República acusa Thiebaut de envolvimento na cobrança de propinas entre 2017 e 2020, ligadas a contratos da Compesa e das secretarias estaduais de Saúde e Educação.
Atuação no PSB e remuneração
Apesar das investigações, Thiebaut permanece empregado pelo PSB, partido presidido pelo prefeito do Recife, João Campos, que também foi gestor na época das acusações. Segundo as prestações de contas do partido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Thiebaut recebeu R$ 182.447,48 em 2023, R$ 182.297,97 em 2024, e R$ 149.093,37 entre janeiro e setembro de 2025.
Tramitação judicial
A ação penal contra Renato Thiebaut tramita no Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) sob relatoria do desembargador Roberto Machado, após mudança no entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre foro privilegiado. Até o momento, ele não possui condenação judicial definitiva.
Posicionamento do PSB
Em nota, o PSB afirmou que “Renato Thiebaut trabalha há três anos no partido e não possui qualquer condenação civil ou criminal que desabone a sua atuação”. O partido opta por manter o ex-secretário em seu quadro mesmo diante das acusações em curso.
Contexto político
O caso ocorre em um cenário no qual o PSB e seus membros enfrentam escrutínio sobre práticas administrativas e éticas, especialmente em Pernambuco, estado governado pelo partido. O relacionamento entre lideranças locais e ex-integrantes de gestões anteriores investigadas pode influenciar a imagem pública e o posicionamento político do PSB nacionalmente.
A manutenção de Renato Thiebaut no partido, mesmo sob investigação, levanta debates sobre transparência, responsabilidade política e tolerância institucional a denúncias graves no âmbito público e partidário.





