Mesmo com Gilberto Kassab como candidato a vice de Ronaldo Caiado, o partido não estará no palanque em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia

Ronaldo Caiado (à esq) cumprimenta Gilberto Kassab (à dir) em anúncio do PSD — Foto: Alexandre Gajardoni/PSD
Kassab entra como vice de Caiado visando engajar o PSD, mas acordos locais do partido com Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema limitam apoio nos principais colégios.
A estratégia do PSD de colocar Gilberto Kassab como candidato a vice de Ronaldo Caiado enfrenta obstáculos concretos nos principais redutos eleitorais do Brasil. Embora visasse engajar a sigla—partido com mais prefeitos e vereadores—a decisão não altera compromissos já assumidos em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia.
Acordos locais fragmentam apoio partidário
Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país com 31,2 milhões de votantes, o PSD reafirma lealdade a Tarcísio de Freitas para o governo estadual. Kassab, que foi secretário do governador, deixou claro que a campanha será por Caiado presidente e Tarcísio governador, mantendo a fórmula independente. O presidente do PSD descartou a possibilidade de atrair Tarcísio para o palanque: “O Tarcísio tem deixado claro que ele estará ao lado do presidente Bolsonaro”, afirmou.
Divisão estratégica nos demais estados
Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia seguem o mesmo padrão de fragmentação. Em Minas, o partido apoia Romeu Zema pelo Novo. No Rio, dialoga com o PT e Lula. Na Bahia, também sustenta governismo federal. Esta estrutura regional reflete decisões tomadas antes da composição Caiado-Kassab, cristalizando alianças locais que não se alinham à candidatura presidencial.
O paradoxo da vice-presidência
O anúncio de Kassab buscava capitalizar a máquina partidária em municípios, onde o PSD concentra poder. Entretanto, a influência local não se traduz em mobilização estadual nos grandes centros. O presidente do PSD reconhece implicitamente essa limitação ao aceitar um resultado: candidatos em palanques separados nas mesmas unidades federativas, criando confusão eleitoral.
Perspectivas para a campanha
A campanha de Caiado dependerá de penetração orgânica em São Paulo, Minas, Rio e Bahia—sem o aparato institucional do PSD. Essa desconexão entre candidato presidencial e estrutura estadual da principal sigla da coligação evidencia os limites das alianças brasileiras, onde acordos municipais e estaduais frequentemente prevalecem sobre estratégias nacionais. A dinâmica sugere que a legenda funcionará como suporte logístico geral, mas não como força mobilizadora nos colégios que mais pesam numericamente.





