Deputadas alegam diminuição de alcance em redes sociais após ato político
Psol denuncia Meta ao MPF por redução do alcance de perfis de esquerda nas redes sociais.
Neste contexto político, o Psol, através das deputadas Sâmia Bomfim (Psol-SP) e Fernanda Melchionna (Psol-RS), protocolou uma representação no Ministério Público Federal (MPF) solicitando investigação sobre a Meta. O pedido surge após um episódio considerado atípico de shadowban, onde diversos perfis ligados ao campo progressista relataram uma queda abrupta de visualizações e interações em suas contas no Instagram, Facebook e Threads.
Episódios de queda de alcance nas redes sociais
Os relatos indicam que a redução do alcance ocorreu logo após um protesto no Congresso, onde o deputado Glauber Braga (Psol-RJ) ocupou a Mesa Diretora em defesa de seu mandato. Segundo as deputadas, essa queda no alcance foi notada entre a tarde de terça-feira (9) e a manhã de quarta-feira (10). Perfis de parlamentares, influenciadores e veículos independentes perceberam comportamentos anômalos, como:
- Queda brusca no alcance orgânico das publicações;
- Sumiço temporário de stories e vídeos;
- Bloqueio de notificações para novas interações;
- Perda de visibilidade em conteúdos políticos, mesmo de perfis que não infringiram regras.
Um ponto crítico mencionado é que até o perfil oficial do presidente Lula teria sofrido queda incomum de alcance, o que sugere uma possível intervenção sistêmica.
Implicações para a liberdade de expressão
A representação sustenta que a conduta da Meta, se confirmada, pode violar princípios fundamentais como a liberdade de expressão e a pluralidade política. As entidades alertam que a restrição de alcance afeta um segmento específico do espectro político, especialmente em momentos de intensa mobilização no Congresso. As deputadas destacam dois riscos principais:
1. Assimetria de informação e influência: Se plataformas privadas restringem conteúdos políticos sem transparência, podem moldar o debate público e a opinião dos usuários, especialmente em contextos críticos como votações.
2. Precedente perigoso para futuras moderações: O caso pode abrir espaço para decisões de moderação que afetem o ambiente democrático sem a devida auditoria ou prestação de contas.
Demandas ao MPF
As deputadas e as organizações envolvidas pedem ao MPF que exija da Meta esclarecimentos sobre:
- Os parâmetros usados para identificar e punir os perfis;
- A política interna de moderação aplicada;
- A existência de filtros automatizados após eventos políticos;
- Os critérios de proporcionalidade e necessidade que justifiquem o bloqueio;
- Possíveis reparações para as contas prejudicadas.
Se a irregularidade for comprovada, as entidades solicitam que o MPF avalie medidas para garantir maior transparência e controle sobre decisões que possam impactar o debate democrático.
Contexto de regulação das big techs
O episódio ocorre em um cenário onde o Congresso discute a regulação das big techs, especialmente em relação à moderação de conteúdo e à responsabilidade das plataformas em períodos eleitorais e de crise institucional. Até o momento, a Meta não se manifestou sobre a representação feita ao MPF, que deve analisar o pedido e decidir se abrirá uma investigação formal.





